74% dos brasileiros rejeitam ingerência dos EUA, mesmo com apoio a rótulo terrorista para facções
- Jornal Daki

- 24 de jun.
- 2 min de leitura
Pesquisa Datafolha aponta respaldo de 59% à classificação de PCC e CV como terroristas, mas revela forte rejeição a qualquer ação armada americana em solo brasileiro sem autorização do governo

A decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas encontrou respaldo de 59% dos brasileiros, que concordam total ou parcialmente com a medida. No entanto, três em cada quatro entrevistados (74%) rejeitam a possibilidade de os EUA atuarem contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo nacional.
O aparente paradoxo revela menos uma adesão à política externa americana do que um retrato da pressão exercida pela violência organizada sobre a vida cotidiana dos brasileiros. Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o apoio à classificação expressa “um grito de socorro de uma população que teve suas vidas sequestradas e rotinas alteradas pela atuação de facções”.
A percepção sobre a real intenção dos EUA está polarizada: 50% acreditam que Washington quer combater as facções para ajudar a população brasileira, enquanto 47% afirmam que o país usa o problema como “desculpa para mandar no Brasil”.
A crença na mão amiga norte-americana é maior entre eleitores de Flávio Bolsonaro (77%) e do PL (81%), enquanto a suspeita de ingerência predomina entre apoiadores do PT (69%) e de Lula (63%).
Para a cientista política Maria Hermínia Tavares, professora emérita da USP, o resultado mostra que as posições estão fortemente aderidas a preferências políticas.
“Esse tema mexe com patriotismo e com a ideia de que o Brasil é capaz de lidar com seus problemas por conta própria”, afirma.
A pesquisa também aponta que 54% acreditam que Flávio Bolsonaro teve influência na decisão americana, com maior peso entre eleitores de Lula (71%).
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 17 e 18 de junho, em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
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