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A árvore, os ativistas, a praça e o equinócio - por Oswaldo Mendes


Imagem: Acervo do autor
Imagem: Acervo do autor

Dia 21 de setembro de 2021. Comemorou-se o Dia da Árvore. Nas redes sociais milhares de posts com fotos de espécies diversas e frases que até emocionam, mas a realidade é completamente outra.

Indira Gandhy que, em palestra em Estocolmo, há exatamente quarenta e nove anos, três meses e dezesseis dias, não surtiu o resultado esperado e a cada semestre vemos nossos morros, todos em chamas. São as mesmas pessoas que colocam fogo nas matas que hoje fazem linfas nas redes sociais?



O discurso do Meio Ambiente sempre veio agregado ao lucro financeiro, mas aqui se viu de forma diversa (nem cito interpretar – coisa complicada de se falar ou escrever nos dias atuais). É só lembrar do artigo de Michel Porter - há quarenta e um anos atrás e, ainda assim, colocaram fogo na Amazônia e no Pantanal para mais pastos e plantar soja. Ação e reação: agora seca.


Tivemos por aqui diversos processos para a melhoria da qualidade de vida, despoluição da Baia de Guanabara e outros que falharam e, agora, uma empresa privada saberá cobrar cada centavo da população, que resistiu por décadas a ideia de que ela é responsável por tudo aquilo que cria. PPP – Princípio do Poluidor Pagador.



Recebemos um dinheirão da venda da CEDAE para iniciativa privada. Algumas pessoas interessadas querem fazer propostas de como utilizá-lo. Tomara que não troquem esse dinheiro por espelhos e apitos.


Nossos rios e córregos são lixeiras a céu aberto. Bacias hidrográficas que refletem uma Sociedade.


Da UNIVERDE, posteriormente com Capitão Valdo Barros, Major Peres, Newton Ferreira veio a AMASG – odiada por muitos e desconhecida pela população. Não temos como deixar de falar do “Nosso Pedaço” com o saudoso José Carlos Nascimento – querido “Zé Carlos” – outro desconhecido, Sidney Valle e sua luta por Neves. Lembramos, neste momento, do saudoso Preto Louro e sua visão para o Salgueiro, posteriormente um projeto da Igreja Católica de São Gonçalo em seu terreno, o grupo “São Gonçalo Mais Verde” e Betinho Carvalho no Jardim Catarina – Rua Albino Imparato, que hoje está florida. Queria lembrar ou não poder contar quantas pessoas lutam por causas ambientais na cidade, mas são pouquíssimos. Quantitativo.



Na Gestão de Aparecida Panisset, plantaram diversas mudas nativas nas ruas, mas também um monte de palmeiras. O interessante foi um desses “técnicos” que deram entrevista, à época, aos jornais da região afirmando que as palmeiras eram anãs. A gestão que veio a seguir cortou o que pode e deu tempo. As árvores das ruas desapareceram, com o total apoio da população.


Numa cidade onde o cabo elétrico tem mais importância do que uma árvore. Onde se depara diariamente com inúmeras espécies jogadas pelas esquinas. Pergunte a qualquer político da cidade quantos pedidos para plantar uma árvore ele teve e compare com os pedidos de corte de árvores?


Antes de “podar” árvores deveriam estudar o que é centro de gravidade. Outra coisa é a definição de beleza. Pergunte a quem utilizou um sapato “cavalo de aço” o que é belo.

Hoje o Dia da Árvore e amanhã o equinócio da Primavera. O que mudará nas atitudes das pessoas?



Lembro-me do saudoso ex-vereador Carlinhos da Marmoraria que fez um posto de saúde numa praça pública, obra muito falado à época. O criticado Eduardo Gordo. Se não fosse esse ex-vereador a população não teria até nossos dias ônibus com refrigeração - ar condicionado, mas teremos o fim das possibilidades de transporte de massas de linha férrea na cidade com a implantação do corredor exclusivo. E ontem doeu e deu muita inveja ao ver que Niterói já está implantando ônibus elétrico e aqui se discute como se colocar mais quebra-molas. Abismo crítico, intelectual e social.



Energia solar. O que é isso? Quantos reflorestamentos oficiais de rios, nascentes, mata ciliar e morros já tivemos nesta cidade? Nenhum!


Citamos praça e lembrei da única cidade que temos conhecimento que vendeu uma praça. Foi para a Justiça e....


Já que citamos praça, conversando com o Dr. Sérgio Toledo sobre a Praça 10 de novembro na cidade. Bem que poderíamos plantar uma árvore nessa praça, mas duvido que saibam onde fica. E viva a Gestão do Patrimônio Municipal!!!!

Oswaldo Mendes é engenheiro e sambista.