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A busca insaciável por curtidas e cliques - por Oswaldo Mendes


Desfile na Intendente/Foto: Prefeitura do Rio
Desfile na Intendente/Foto: Prefeitura do Rio

O Mundo do Samba hoje volta à sua base. Rainhas, princesas, musas, analistas, influenciadores desaparecem das quadras, mas prometem retornar na semana de final de samba enredo e próximo ao carnaval do próximo ano.


O alvo prioritário são as escolas de primeiro grupo com muita torcida e que tenham sido campeãs há pouco tempo nesse grupo, sendo reduzido o assédio com as escolas ditas de “bandeiras menos pesadas”, com pouca influência.


Ganhou o carnaval, ficou na mira. Sua quadra será invadida por ditos “amantes”, mas após o resultado do carnaval será realizada a análise criteriosa e buscarão onde ter mais cliques e curtidas.


Esse perfil de pessoas quer frequentar camarotes, tem pavor a suor de Povo e da Comunidade. O objetivo é simples e único: pessoal.


Há claramente, no mínimo, três carnavais: o de bairro, o de escolas de samba de acesso e o do primeiro grupo das agremiações das escolas de samba- Grupo Ouro.


O carnaval de bairro vem sendo assolado pela violência e intolerância religiosa, as quais se uniram para destruir essa cultura. Blocos do sujo, blocos de bairros encontram muitas dificuldades de conseguir apoio e não são poucos os casos que, ao iniciar qualquer tipo de atividade, são impedidos pela legislação em vigor com liminares que vão do Conforto Ambiental, Licença do Corpo de Bombeiros, Licença da Prefeitura e outros. Isso é geral, não específico.


O carnaval de clubes desapareceu, assim como os clubes, os quais virarão, em breve, rede de supermercados, criando assim emprego e renda(sic!). Nesse ponto convocamos aqueles que adoram bradar esse tipo de frase a ler, e tentar entender, o que significa “trabalho decente” em sua definição pela ONU, órgão onde alguns já colocam dúvida se é do filho de um ex-presidente.



Escolas de Samba de Grupo de Acesso – Avaliação, Prata, e diversos outros, também encontram dificuldades para verbas, mas tem o verdadeiro carnaval. Caminho Niemayer e a Intendente – em Campinho, é o sonho, a felicidade, encontra-se o Povo que efetivamente brinca e canta. Local sem camarotes, tocando rock ou sertanejo, sem atrapalhar o desfile.


Até mesmo as disputas de samba enredo são mais verdadeiras. Os artistas, que sequer sabem onde é a quadra da escola e assinam sambas para o grupo especial, lá não querem nem saber, pois não se tem visibilidade.


Muitos desses cargos, rainhas, musas e princesas, são comprados. As pessoas não têm vínculo nenhum com a agremiação e só buscam cliques e curtidas, em sua fama pessoal. Também é pago aos ditos “influenciadores” para divulgar a figura. Passou o desfile das Campeãs todos e todas desaparecem: são abduzidos.


O dinheiro arrecadado na venda desses cargos veste bateria e Ala das Crianças ou Baianas. Algumas poucas escolas conseguem outras fontes de recurso, mas muito poucas.


As alas comerciais, onde se vende a quem quiser a fantasia, é um gargalo nas agremiações, onde as mais fortes evitam de qualquer maneira. Sem controle a quem foi vendido as fantasias é sempre alvo de punições dos jurados que demonstram pessoas fazendo selfies, caladas, invadindo outras alas, bêbadas, dentre outros, mas o dinheiro arrecadado ajuda muito a agremiação, quando bem gerido.


O Samba a partir de hoje respirará. Nas quadras poderão se encontrar o pessoal da Bateria, Comunidade – aquilo que sobrou, Harmonias tradicionais, Compositores e Velha-guarda, que no carnaval são jogados em cima de um carro com a alegação que vão atrapalhar.


Não há como não falar sobre o bem que as agremiações trazem à Sociedade, pois, exemplificando, Joãozinho da Golmeia ainda seria demonizado se não fosse o carnaval. O carnaval luta, ensina e reescreve a história com seus temas e sinopses.


O carnaval da Sapucaí é para as mídias, musas e influenciadores e não para Sambistas. Hoje começa o carnaval.


Os ideais de Candeia não estão na avenida e certamente quem perde com isso é a Cultura.

 

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Oswaldo Mendes é engenheiro e sambista.