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A escravidão de ontem e de hoje

Por Edir Tereza dos Reis

Manifestação do  Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial - Anos 1970/Foto: Reprodução/Facebook/MNU
Manifestação do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial - Anos 1970/Foto: Reprodução/Facebook/MNU

Daki da Educação, nos debruçamos sobre o 13 de maio “Dia da comemoração da libertação da escravatura”, “Dia da Lei Áurea”, “Dia da Princesa Isabel” – honrada pelo povo brasileiro com tantas e tantas negras e brancas batizadas com seu nome por reconhecimento de sua “benevolência”.


Pelo teor das aspas, convidamos os leitores a buscarem seus fundamentos em textos de Joel Rufino dos Santos, DjamilaRibeiro, Yolanda Oliveira e Abdias do Nascimento, dentre outros. Trago à tona o conceito de escravidão – O que é escravidão? O que é ser um escravo? Quais as justificativas para a escravização de um povo?


O trabalhador tem resguardados pelo Estado seus direitos à segurança física: não pode ser chicoteado, aprisionado sem causa justa ou obrigado a realizar um serviço fora do contratado.


Eis as questões:


Quantos de nós, trabalhadores não somos impelidos à quebra desses direitos pela ideologia do Estado que nos obriga a fazer quaisquer trabalhos para sobrevivermos?


Nos prende sem provas por sermos pobres ou negros?


E pelas reportagens vemos que nos matam asfixiados e com outras formas desumanas protegidos pelo Estado que deveria garantir aos pobres e negros a Cidadania Plena!


No bojo da classe trabalhadora massacrada pelo Estado Neoliberal trago a categoria do professor público que sofre violenta retirada dos direitos verticalmente predeterminada pela política neoliberal que foi abraçada pelo governo federal e estende os tentáculos em vários estados e municípios.



Elejo um tópico do novo Plano de Cargos e Salários de São Gonçalo e sua regulamentação pela mensagem 09/GP/2022, que extingue cargos efetivos da prefeitura, no caso professores concursados com carga horária de 16h/22h.


Deduzimos que todo professor de uma matrícula que não aderir ao aumento da carga horária, será parte do quadro suplementar e os de duas matrículas só podem aderir se exonerarem uma matrícula – fato que ocasiona rebaixamento salarial.


Fica a questão:


Que garantia teremos, como integrantes de cargos extintos de que seremos contemplados com os possíveis ganhos e vantagens do quadro de profissionais vigente no município?


Todas as intercessões descritas da frágil situação política, social e econômica do trabalhador brasileiro e do povo negro escravizado é uma alerta ao neoliberalismo que escraviza com algemas invisíveis.


Concluímos a reflexão sobre escravagismo de ontem e de hoje, com um tributo a Zumbi – herói da resistência negra e com um trecho do samba enredo do Salgueiro cantado no esplendor do carnaval 2022, pós pandemia:


“(...) Hoje Cativeiro é favela/ De herdeiros sentinelas/ Da bala que marca, feito chibata (...).”


***


Colaboração e revisão Rafael Dias.

 

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Edir Tereza dos Reis é Orientadora Pedagógica e Supervisora Educacional. Pedagoga, Psicopedaga e Neurociências. Mestranda em Ensino das Ciências, membra do Coletivo ELA – Educação Liberdade para Aprender e colaboradora da Coluna "Daki da Educação", publicada às sextas.