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A nova agressão aos direitos de mulheres já violentadas

Por Rofa Araújo

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Esses dias devido a tanta polêmica a respeito do Projeto de Lei (PL) 1904/2024, que equipara o aborto realizado após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio simples, inclusive nos casos de gravidez resultante de estupro, podendo levar à prisão a própria mãe que, por certo, não tem as mínimas condições de pensar na criança, fruto de estupro.


O Conselho Pleno do CFOAB aprovou, por aclamação, a inconstitucionalidade desse PL, por ferir os direitos à mulher e até mesmo beneficiar ou aliviar a pena do real criminoso, o violentador de uma menor ou mesmo de qualquer idade.


E o que está por trás de tamanha perversidade? Será que tem alguém pensando mesmo na criança que sofrerá o aborto e não nascerá? Se realmente existisse essa piedade ainda teria alguma dignidade, mas só que, infelizmente, não é bem assim. Tudo passa por ideologia, interpretação errônea do que diz as Escrituras Sagradas de certos líderes religiosos que querem mesmo o poder como se ditassem as regras como uma espécie de Teocracia, o governo de Deus, mas interpretado por homens com interesses escusos.



Se retira, portanto, direitos da escolha da mulher de uma criança gerada por uma violência e não com amor, o que por si só, já seria um motivo para lá de racional, pois supostamente estão pensando na criança, mas esquecendo-se do sofrimento da mulher com toda essa situação.


Como disse um pastor numa entrevista: “Não se trata de ser herege ou não seguir os preceitos bíblicos, mas se preserva ao menos alguma coisa dessa violência toda chamada estupro, porque afinal de contas a vida da mulher pode estar em risco e serão duas vidas pedidas.”


O “Não matarás” dos Dez Mandamentos bíblicos inclui não somente a criança como parece crer alguns, mas as mães e quem sofre agressão principalmente. Ou não se pensa nessas pessoas? E o amor ao próximo pregado por Cristo, onde fica nessa história?


Assim, é um alarde que inflama a muitos sobre o tema de gente que está no cerne da questão porque não passaram por isso e como opinar? É como falar mal de alguém ser passa o que o outro passa. Não é ter emparia. É ser egoísta e até hipócrita mesmo.


Ninguém quer a morte crianças, mas ao constatar que é anencefálico ou nasce sem cérebro, o bebê morrerá pouco tempo ao nascer e sofrerá do mesmo jeito. E quando é fruto de um estupro, passará por inúmeros problemas psicológicos que já vem da geração por violência, da gestação e de um nascimento traumático.


Que situação mais sofrida. E nos resta fazer, então? Preservar a mãe que pode, depois, ter uma gestação saudável e não deixar que sofra ainda mais, agora com possibilidade de prisão se escolher o aborto devido a tudo isso aqui relatado. E, pelo menos sendo legal, não acontecerá com açougueiros ou clandestinamente que gera mais sofrimento, dor, esterilidade e até morte.


Abaixo a ditatura da ideologia em prol dos direitos da mulher e não a imposição do que pode ou não fazer ao passar por algo pessoal e não coletivo, como parece imaginar alguns.   


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Rofa Araujo é jornalista, escritor (cronista, contista e poeta), mestre em Estudos Literários (UERJ), professor, palestrante, filósofo e teólogo.

    

  


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