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A precificação das tragédias, enchentes e alagamentos em SG

Por Helcio Albano

Antiga delegacia de Neves/Foto: Reprodução
Antiga delegacia de Neves/Foto: Reprodução

Quando assessorava um vereador em São Gonçalo tinha trânsito livre com praticamente toda a classe política da cidade, de cabo a rabo. Sem distinção. Isso era inerente ao cargo que ocupava, de assessoria de Imprensa e Comunicação na Câmara.


A casa legislativa era então um "puxadinho" literal da Prefeitura, na Av. Feliciano Sodré, e era muito comum às quintas-feiras (dia de sessão abolida por Lecinho Breda) encerrar o expediente no happy hour ali na Salvatori, invariavelmente no Rodo Bier ou no saudoso Gialo, onde melhor se davam confidências e inconfidências.



Numa dessas noites recreativas, cismei de entrar em assunto sério e falar desse mal crônico que afeta a cidade: ocupação à bangu do solo e os consequentes problemas que ocorrem daí: alagamentos, enchentes, deslizamentos, perdas materiais e mortes, cada vez mais comuns nessas tragédias cada vez mais recorrentes.


"Ninguém quer mexer nisso pra valer. Além de não ter dinheiro, não tem vontade. O desgaste pro governo já tá precificado, assim como os prejuízos pra quem sofreu uma perda qualquer. Até se morrer alguém, gera uma comoção no momento, mas logo é esquecido até chegar o próximo verão", disse-me um alto figurão da política local, antes da uma golada no chopp.


Esse diálogo tem aproximadamente 10 anos. E muitos naquele momento ao redor da mesa, compõem, de uma forma ou de outra, o governo atual. Que, na figura de um visivelmente contrariado e mau humorado prefeito, agiu tardiamente em amparar e orientar os seus munícipes frente ao caos instalado após as chuvas de ontem.


Plus

O nosso Plus é diferente hoje. Porque trago pra você o texto do professor André Correia, postado em nosso grupo do Jornal Daki no Whatsapp:


São as águas de Janeiro destruindo o verão


A chuva que caiu na noite de ontem em nossa cidade não é novidade para ninguém. Janeiro e Março são meses declaradamente repetitivos e tempestuosos. Na minha infância, em Niterói, quando a moda ainda era desabamento de barreiras, os ônibus da prefeitura nos levavam confortavelmente para passar a noite no Estádio do Caio Martins até que os mortos fossem retirados debaixo da lama e que tudo parecesse normal.


A defesa civil nos doava tijolos, cimento, telhas, ferro, areia e areola para construirmos novos barracos para cair na próxima chuva. Em minha adolescência vim morar em São Gonçalo que sofria menos com a queda de barreira mas sempre sofreu muito com os alagamentos.


Desdos mutirões de Ezequiel para jogar concreto nas ruas sem qualquer estrutura que os bolsões de alagamentos da cidade aumentaram consideravelmente.


De lá pra cá, mais de 500 mil pessoas pessoas engordaram o senso populacional da cidade sem que a infraestrutura se preocupasse com isso.


O plano diretor da cidade nunca apontou soluções para os alagamentos. E nos movimentos sociais isso nunca foi pauta de prioridade.


É uma realidade tão distante que nem entra no discurso dos candidatos. A tática sempre foi vencer "um" falando mal do "outro".


A separação das águas de chuva do esgoto, a drenagem dos rios (valões), o programa de reflorestamento ambiental, a construção de galerias, o reaproveitamento da água das chuvas, a construção de uma empresa de lixo própria, a educação nas escolas sobre o descarte do lixo e apenas (1) aterro sanitário para mais de 1milhão de pessoas pode ser alguns dos fatores que contribuem para o problema que se arrasta por gerações.


Aliás, falar em aterro sanitário no século XXI me parece uma piada política frente as usinas que produzem energia do lixo.


E todo prefeito que se assentou naquela cadeira e não desenvolveu esses programas tem responsabilidade sobre isso.


O atual prefeito bolsonarista se elegeu com apoio da Igreja e do conservadorismo gonçalense, aonde asfalto de péssima qualidade, embelezamento superficial de alguns setores, programas assistencialistas e cargos para os amigos instauram o silêncio de sua responsabilidade.


E o Povo? Seria uma vítima despolitizada? Mais de 200 mil nem estiveram nas urnas para opinar sobre o destino de sua cidade.


Agora sou obrigado a parafrasear o Escritor Rodrigo Santos.


Ai de ti São Gonçalo!


Bônus

A quem e onde pedir ajuda:

Defesa Civil. Em caso de emergência, ligue para o número 21987370807.


🚨 Pontos de Apoio na Cidade: 🚨


✅ Novo México - Escola Municipal Dep. José Carlos Brandão Monteiro Filho


✅ Arsenal - Associação de Moradores e Amigos do Arsenal e Centro Educacional Dalila Oliveira Costa


✅ Barro Vermelho - Escola Municipal Joaquim Lavoura


✅ Sete Pontes - Escola Estadual Cônego Goulart


✅ Trindade - CIEP 408, Sérgio Cardoso


✅ Engenho Pequeno - Escola Municipal Maria Amélia Areas Ferreira


✅ Covanca - Igreja Matriz de Santo Antônio e Escola Municipal Nice Mendonça de Souza e Silva


✅ Nova Grecia - Escola Municipal Pres. João Belchior Marques Goulart


🚨 ORIENTAÇÕES IMPORTANTES 🚨


🦺 Não ande em áreas de inundação e não trafegue em ruas sujeitas a alagamentos ou já alagadas;


🦺 Não se abrigue debaixo de árvores ou estacione veículos, pois elas podem cair e ocasionar graves acidentes;


🦺 Atenção especial também em áreas de encostas e morros.


🦺 Se você mora em área de risco, esteja atento às sirenes. Elas serão acionadas, em caso de risco. Desloque-se para o ponto de Apoio mais próximo indicado pela Defesa Civil é só retorne à sua casa quando ouvir a mensagem de desmobilização;


🦺 No retorno para casa, se você observar aparecimento de fendas, depressões no terreno, rachaduras nas paredes das casas e o surgimento de minas d’água avise imediatamente a Defesa Civil.


🚨 Até as 23h, foram acionadas 8 sirenes no município de São Gonçalo. 🚨


📍 Arsenal

📍 Barro Vermelho

📍 Engenho Pequeno

📍 Nova Grécia

📍 Novo México

📍 Sete Pontes

📍 Tenente Jardim

📍 Venda da Cruz.


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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.