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Uma São Gonçalo fora das páginas policiais - por Oswaldo Mendes


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Atônitos mais uma vez acompanhamos pela imprensa e mídias sociais a nossa cidade sendo pisoteada pela violência, a qual é muito bem remunerada. Guerra, mortes, violência dá muito lucro, mas não a quem mora aqui.


Lembremo-nos que o lucro não é só o financeiro. Existe também o lucro social. As Organizações Sociais – Terceiro Setor, Governo e as melhores empresas privadas primam, ou deveriam primar, também, pelo lucro social, mas não esquecendo dos argumentos descritos da nossa tão criticada e vilipendiada Constituição Federal, inclusive no seu artigo 37, os quais podem serem lembrados pela palavra LIMPE – Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência.



Notemos que com isso não defendemos que empresas deem prejuízo financeiro, mas eles não podem esquecer os benefícios sociais.


Um detalhe é que nos idos de 1990 um autor americano, Peter Druck, para a implementação da Gestão, “criou” a diferença entre eficiência e eficácia, as quais em português representam a mesmíssima coisa.


Dentre as requisições da cidade, sempre em pauta, estão as barcas, transportes de massa – dentre elas a Linha Três do Metrô, já enterrados e mais locais para lazer e cultura.



No final do Governo de Neilton Mulim, aconteceu um acordo entre poderes que nos dariam a possibilidade da realização de um sonho, o qual perdurou por anos nas páginas policiais e nos bolsos dos contribuintes: o Teatro Municipal. Um elefante de ouro branco.


Reinaugurado por vezes nunca era efetivamente colocado a quem paga os impostos. Para quem estuda ou estudou essa área do conhecimento existem palavras bonitas desprezadas por muitos que se dizem gestores que são, dentre outros: objetivo, metas, depreciação e custo de manutenção.


Sinceramente pelo tipo de campanha política na cidade, com a total polarização, tínhamos dúvidas do que viria para a área da Cultura na cidade. Com as primeiras nomeações mantiveram o modelo anterior de pessoas que não militavam na área da Cultura, mas o jovem ali nomeado vem fazendo um bom trabalho.



O Chefe do Executivo nunca foi extremista, seja de direita ou esquerda. Sempre se colocou como base de governos que passaram pela cidade até ser alçado à ALERJ e na função que anteriormente ocupara como funcionário público, por décadas, havia claros indícios de não ser um dilapidador dos cofres públicos. Gestão de Centro. Sem farol para trás.


Nomes de pessoas que labutam na Cultura foram chamados, dentre eles o Beto Baiano, mas o que muito nos chamou a atenção foi para o pessoal do Grafite – sempre marginalizados, abandonados, os quais vem fazendo um belo trabalho pelos muros e viadutos, anteriormente tristes, da cidade. E para quem ainda não sabe que grafite é arte, Grafite não é pichação.

Dar oportunidade à população de conhecer o belo trabalho de “Siri do Muro” e outros maravilhosos artistas da cidade.



Reabriram o Teatro Municipal e, com desconfiança, pensávamos que seria apenas mais uma reinauguração, já concorrendo com a ETE Praia das Pedrinhas, a qual já consta como reinaugurada por quase dez vezes, sem nunca funcionar, desde o Governo de Marcelo Allencar.


Aguardávamos, posteriormente, por uma agenda e como sempre aconteceu na cidade, seria para poucos e muito bem escolhidos. Vimos acompanhando o trabalho e o mesmo está voltado para público diverso.


Como gato escaldado tem medo de água fria, erramos, até hoje e no dia 19 de novembro, através de convite do Presidente do CEBA – Centro de Estudos Brasil-África, ONG criada nos idos dos anos de chumbo, onde tínhamos os Professores Jorge Santana e Mathildes Santana como atores principais, para a festividade do Dia da Consciência Negra.



Estávamos pela primeira vez nesse teatro da cidade. O teatro é pequeno e não tem estacionamento, são críticas comuns, mas adequado ao que se propôs e para os Gestores atuais nada pode ser alterado destes pontos, inicialmente. O que deveria ter acontecido já passou por diversas páginas policiais e não é foco deste.


A apresentação no teatro, como de sempre, foi linda. O local é limpo e agradável. A sonorização, iluminação, poltronas, banheiros, acessibilidade interna boas. Uma nova e agradável surpresa.


E citando em surpresa, desta vez agradabilíssima, foi a visita na Feira de Livros, acontecida no último final de semana, no antigo 3 BI – Venda da Cruz, onde o espaço que se encontrava sem qualquer utilização no governo anterior, uma maravilhosa quadra de esportes, foi utilizado como espaço de exposição para a FLISGO. Diversos autores da cidade no local e a população efetivamente participando. Que se utilize o espaço outras vezes, assim desejamos.


Os políticos que nunca aqui puseram os pés e muito menos as suas emendas, agora irão encontrar a cidade no mapa, buscando invadir o município, em face a eleição que se aproxima, em função do quantitativo de eleitores, a pobreza e baixa instrução, e vem para trocar votos por cestas básicas e ilusões.



Aproveitamos o espaço e relatarmos uma insatisfação que ronda os autores e artistas da cidade, falamos sobre outra feira literária que acontecerá na Fazenda Colubandê nos próximos dias e que nenhum autor, escritor ou editor da cidade foi sequer ainda procurado. Uma lacuna, mas não se encontra na esfera municipal a solução ou gestão da citada feira, nos parece.


Um grande problema da Gestão é a denominada de serrote, ou seja, variações entre um que faz e outro que destrói. Tomara que se mantenha esse tipo de procedimento na Cultura e que seja para outras secretarias e empresas benchmarking – referencial de excelência.


Faltam ainda resultados para os blocos e escolas de samba da cidade, e esperamos muito que a GRES Porto da Pedra tenha algum apoio, também, pois ela sempre levou de forma positiva o nome da cidade para o Mundo, no lema: Paixão e Orgulho de São Gonçalo.


Contentes e surpresos, até o momento, estamos.

Oswaldo Mendes é engenheiro e sambista.




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