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A violência, o cinismo e São Gonçalo como superfavela

Por Helcio Albano

Paisagem comum em SG/Foto: Reprodução
Paisagem comum em SG/Foto: Reprodução

Acordo hoje com a notícia de que o estado mobilizou + de mil homens pra fazer a zilhonézima operação policial em 40 anos pra combater o tráfico de drogas na Maré e Cpx da Penha. Pra quê? Pra jogar dinheiro, energia e vidas no lixo, que era onde essa "política" de segurança devia estar.


Não sou especialista e pouco sei do assunto - que deixo pra Jaqueline Muniz, LE Soares e outros estudiosos do tema - mas uma coisa vos digo: enquanto essa loucura de guerra às drogas continuar, nada muda. Ou melhor, piora. Porque quem se arma daqui, se arma de lá.


E o mercado do crime, que tem uma lógica própria de funcionamento, fica cada vez mais ousado, violento e poderoso. E muito, muito lucrativo, porque avança e domina outras áreas da economia vitais para a sociedade; tornando-se, assim, hegemônico, e impondo um novo tipo de relação capitalista de acumulação de riqueza super-hiper concentrada.



Viver no Rio de Janeiro é um inferno. Em São Gonçalo, cada vez mais uma impossibilidade. O crime e a violência estão em todos os lugares, em forma de assaltos e de achaque em praticamente tudo que consumimos. Não existe mais diferenciação socioespacial, cumprindo a profecia do sociólogo Fabiano Barreto neste mesmo jornal: São Gonçalo se tornou uma superfavela em que praticamente não tem mais regulação e mediação do Estado como agente da Ordem Legal.


Ou testamos novas formas de lidar com a questão - e isso passa por legalização das drogas - ou morramos abraçados todos ao cinismo e à hipocrisia.


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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.




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