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Advogado executado no Rio defendia amigo de Flávio Bolsonaro em disputa com Richarlison

Embate judicial se dá sobre posse de mansão que pertenceu a Clara Nunes em Ilha Comprida. A casa tem 11 suítes, praia e cachoeira privadas e encantou o filho de Jair Bolsonaro, que gravou vídeo do local


Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

Executado a tiros em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro na tarde desta segunda-feira (26), o advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, atuava na defesa de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em uma disputa judicial sobre uma mansão em Angra dos Reis com o jogador da seleção brasileira Richarlison.




Segundo Guilherme Amado, no site Metrópoles, Crespo assumiu o lugar de Luis Felipe Salomão, filho do corregedor nacional de Justiça, que deixou o caso.


Procurado pelo Metrópoles, Willer Tomaz disse inicialmente que Crespo não era advogado de sua empresa, a WT Administração de Imóveis e Bens. Deparado com um print que mostra o nome do advogado no processo, o amigo de Flávio Bolsonaro não respondeu.



Rodrigo Marinho Crespo foi assassinado em frente à OAB-RJ, quando deixou seu escritório para lanchar na região. Segundo testemunhas, uma pessoa se aproximou dele, chamou por seu nome e realizou os disparos. Inicialmente, dois. O criminoso estava encapuzado.


Em seguida, ainda de acordo com testemunhas, ele disparou pelo menos, outros oito tiros contra o advogado. Após a execução, o assassino entrou em um carro de cor branca e fugiu.


Além da defesa do amigo de Flávio, Crespo atuou em ações de resgate de investimentos de criptomoedas. Em uma das ações, conseguiu bloqueio de contas de algumas pessoas envolvidas em esquemas de pirâmide.



Mansão em Angra


O advogado fazia parte da defesa de Willer Tomaz em uma disputa jurídica com o jogador Richarlison por uma mansão de R$ 10 milhões em Ilha Comprida, no município de Angra dos Reis (RJ), que foi comprada em 2020 pela Sport 70, empresa do jogador da Seleção Brasileira e de seu empresário, Renato Velasco. 


A mansão tem 11 suítes, praia privativa, uma cachoeira, piscina, quadra de tênis, heliponto e teria "encantado" o filho de Jair Bolsonaro - que adquiriu recentemente uma mansão avaliada em R$ 6 milhões em Brasília -, que foi arrolado como testemunha na disputa judicial.


Flávio chegou a publicar vídeo do local em 1º janeiro de 2021 em seu perfil no Instagram. "Quantos lugares você conhece em que a cachoeira desagua no mar? Em Angra dos Reis tem! Tomada da Ilha Comprida, localizada ha´ poucos minutos do aeroporto de Angra", escreveu junto com imagens aéreas da mansão, filmadas por um drone sem autorização dos proprietários.


Seis meses antes, Flávio, a esposa - a dentista Fernanda Bolsonaro - e o ex-ministro Tarcísio Gomes de Freitas, atual candidato ao governo de SP, estiveram em Angra. O casal passou o fim de semana na região e foi levado para conhecer a mansão pelo ex-senador  Wilder Morais (PL-GO).


À época, o dono, Antônio Marcos, recebeu o filho de Bolsonaro, mas afirmou que já negociava a venda com a empresa de Richarlison. Em janeiro, já na companhia de Tomaz, Flávio voltou ao local e cortejou o dono, que explicou que já havia vendido a mansão.


“Contei a Willer Tomaz e ao Flávio que já tinha negociado (a casa). Willer dizia: ‘Ah, será que ele (o novo dono) não vende? Você não consegue cancelar a venda? Como está o contrato? Ele ainda está te pagando ou pagou tudo?’, e eu dizia que não tinha como, porque o negócio já tinha sido feito”, disse Antônio Marcos ao Metrópoles.


Reintegração de posse


Após a compra, Richarlison e Velasco fizeram reformas na mansão, para onde se mudou a esposa do empresário. No entanto, no dia 13 de maio de 2022, a mulher, que estava grávida, ligou para o marido relatando que um oficial de Justiça e policiais estavam na mansão para retirá-la da propriedade e cumprir uma decisão de reintegração de posse - veja no vídeo abaixo.


A ação foi movida pelo escritório M Locadora, de um sócio de Tomaz, que alegava que havia havia comprado a posse do imóvel do marido da cantora Clara Nunes - uma das primeiras donas do local, que foi casada com o compositor Paulo César Pin - em 1986 e revendido em 2002. Segundo o escritório, 20 anos depois, representantes dos espólios dos antigos donos da empresa, já mortos, reivindicavam a posse.


Dois dias depois, os advogados da empresa de Richarlison conseguiram provar a compra do imóvel e reverter a decisão. proferida pelo juiz Ivan Pereira, da Segunda Vara Cível da Comarca de Angra.


O amigo de Flávio, Willer Tomaz, recorreu à segunda instância da Justiça no Rio alegando que que sua empresa, a WT Administração, havia pagado R$ 2 milhões de pendências fiscais e administrativas da M Locadora, em troca da transferência do bem.


Outro lado


Em nota enviada à Fórum, Willer Tomaz afirma que "a WT Administração é hoje a única e legítima titular de direitos detentor do direito de uso" da casa em Ilha Comprida.

 


*Com informações Revista Fórum


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