Antes tarde que mais tarde: Kit alimentação chega em boa hora em São Gonçalo
- Jornal Daki

- 5 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Por Cláudio Figueiras
Semed demorou mais de sete meses para garantir o direito à alimentação de estudantes da rede municipal de ensino

Uma triste novela, que misturou um tanto de estupidez, insensibilidade e “bateção de cabeça” por parte da Secretaria de Educação (Semed), parece ter chegado ao fim com a regularização da distribuição dos kit alimentação, no final de setembro, às famílias que possuem estudantes matriculados na rede de ensino do município.
Foram mais de sete meses de sofrimento e angústia para milhares e milhares de gonçalenses em situação de insegurança alimentar, agravada pela pandemia, desempregados ou sem renda, que contam apenas com as refeições servidas na escola para garantirem aos filhos ou a si próprios a quantidade mínima de nutrientes e calorias diárias que o corpo necessita para se manter de pé.
Como é o caso de Márcia Moreira Ribeiro, de 43 anos, desempregada, mãe de três filhos, esposa do pedreiro Marco Antônio, de 48, único provedor da casa, que procurou a sede da Semed nesta terça (05) para retirar o kit alimentação.
Os cinco da família, inclusive Márcia, são estudantes da rede municipal na modalidade EJA, e tiveram direito a dez kits alimentação. “Os kits de alimentação chegaram em boa hora. Vão ajudar muito. Não é pouco não”, disse Márcia.
Emblemático também é o caso da costureira Karla Mendonça, de 41 anos. Mãe de cinco filhos, sendo quatro deles alunos da rede municipal, ela vem mantendo a família com a venda de cloro e fazendo biscate, o que rende por mês cerca de R$ 800.
Com dois carrinhos em punho, ela retirou oito kits e garantiu que os alimentos irão manter o sustento da família por pelo menos um mês.
"É muito difícil manter uma casa com cinco filhos sozinha. Já cheguei a catar latinhas de alumínio para vender para comprar pão. Com a chegada desses alimentos, vou pegar o dinheiro que gastaria no mercado para pagar uma conta, por exemplo", garantiu a mãe da Karen, de 18 anos, Kauã, de 16, Kaio, 13, Iago, de 13, e da Ana Carolina, de seis anos.
O secretário de Educação de São Gonçalo, Mauricio Nascimento, vem acompanhando as entregas dos kits de alimentação em todos os polos de distribuição. Ele orientou aos diretores das unidades de ensino para que a entrega fosse feita de maneira ordenada, organizando a entrada e saída dos responsáveis, evitando assim qualquer tipo de aglomeração.
Segundo Nascimento, a composição dos kits está em consonância com normativas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e tem como responsável técnica e agente de fiscalização uma nutricionista.
"O kit não é uma cesta básica, é um complemento da merenda escolar, para compensar os dias que os alunos estão em casa por conta do sistema híbrido", explica o secretário durante a distribuição.
De acordo com relatório da Ação da Cidadania divulgada em julho, pelo menos metade da população (100 milhões de brasileiros) sofre com o fantasma da fome; mas para 19 milhões, isso já uma realidade.
Com informações da PMSG.









































































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