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Caravana 'Quero Viver' contra escala 6x1 começa por São Gonçalo e percorrerá o estado

Movimento iniciado no calçadão de Alcântara promete conscientizar trabalhadores sobre os danos da jornada exaustiva


Por Cláudio Figueiras


Ativistas começam a caravana no centro do Alcântara/Foto: divulgação
Ativistas começam a caravana no centro do Alcântara/Foto: divulgação

Teve início nesta segunda (6) em Alcântara, São Gonçalo, a "Caravana Quero Viver", movimento que percorrerá o estado do Rio de Janeiro em defesa do fim da escala 6x1. A iniciativa busca levar informação e mobilização a trabalhadores do comércio, serviços e segurança privada — setores onde o regime de seis dias de trabalho para apenas um de descanso é predominante.


A estratégia aposta em uma agenda forte de base: o grupo realizará atos públicos, panfletagens e rodas de conversa em bairros, igrejas e portas de locais de trabalho, alcançando quem muitas vezes fica de fora das discussões institucionais.


De olho no Congresso

A caravana surge em um momento crucial. No Congresso Nacional, propostas de emenda à Constituição (PEC) e projetos de lei que visam a redução da jornada de trabalho e a extinção do modelo 6x1 estão sob os holofotes. A articulação em São Gonçalo pretende mostrar aos parlamentares que há um clamor popular vindo das bases.


Um dos articuladores da mobilização é Alex Amarante, que destaca a urgência do debate na região:


"Não podemos naturalizar o adoecimento do trabalhador. A escala 6x1 rouba o convívio familiar, a saúde e a dignidade. Em São Gonçalo, essa realidade é ainda mais dura, porque muitos enfrentam horas de deslocamento em um transporte precário", afirmou.


Alex Amarante/Foto: divulgação
Alex Amarante/Foto: divulgação

Realidade Local

A escolha de São Gonçalo como ponto de partida não foi por acaso. O município concentra uma massa crítica de trabalhadores formais e informais que sentem o peso direto dessa jornada. Estudos apontam que:


  • Mais de 30% dos trabalhadores formais do estado cumprem esse regime.

  • Nas periferias e setores de serviço, esse índice é ainda mais elevado.

  • A informalidade muitas vezes camufla jornadas ainda mais extensas e sem fiscalização.


"Vamos continuar nas ruas e nas associações de bairro. Queremos que o trabalhador saiba que existe uma proposta viável e que é possível lutar por qualidade de vida. Viver é diferente de estar vivo", completou Amarante.


De acordo com os organizadores, a caravana nasce como um esforço coletivo, unindo a pressão social dos territórios à articulação política, para garantir que o debate sobre saúde e dignidade avance com força por todo o território fluminense.


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