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Cedae: São Gonçalo terá dinheirama inédita de dar inveja a Lavoura e Aparecida

São R$ 1 bilhão livres para investimentos na cidade. Movimentos sociais querem participar da destinação dos recursos


Rodrigo Melo

Cheque simbólico/Foto: Reprodução
Cheque simbólico/Foto: Reprodução

A venda da Cedae por R$ 22,3 bilhões em abril deste ano irá render a São Gonçalo, a título de outorga, mais de R$ 1 bilhão. Desse montante, R$ 650 milhões foram antecipados pelo governo do estado e já estão na conta da Prefeitura. O restante dos recursos virá em duas parcelas de 15% e 20%, respectivamente, até 2025.


O repasse dos recursos foi feito de modo simbólico pelo governador Claudio Castro (PL) ao prefeito Nelson Ruas (PL), em cerimônia de inauguração de uma praça na Praia das Pedrinhas, no Boa Vista, na manhã desta terça (24).


E pra onde vai a dinheirama inédita?



São recursos de "livre investimento" de dar inveja aos icônicos Joaquim Lavoura (1913-1975) e Aparecida Panisset (Gov. 2005-12), que fizeram fama de bons gestores pelo enorme volume de obras realizadas quando à frente da Prefeitura. E não à toa foram os únicos a conseguirem ser reeleitos para mais de um mandato na cidade.


Para níveis de comparação, o dinheiro em caixa disponível para o prefeito Nelson Ruas equivale a 40 anos de orçamento com arrecadação própria, hoje em torno de R$ 23 milhões, que sobram pra investir anualmente. O que chega a ser um acinte, se comparado a outras cidades de perfil populacional similar a São Gonçalo.



O secretário e filho do prefeito, Douglas Ruas, candidato certo à Alerj em 2022, será o gestor dos recursos. Ele foi incumbido pelo pai em apontar as prioridades de investimentos e a elaborar o que chama de "plano estratégico de utilização da verba", que nada mais é do que decidir no que, por que, quando, como e com quem será gasto o dinheiro. É muito poder.


Em algumas audiências realizadas na Câmara de Vereadores e em manifestações à imprensa, Douglas deu a entender que a população teria participação no processo de definição dos investimentos, porém não apresentou nada de concreto e muito dificilmente apresentará se não for pressionado para isso.



Recado logo entendido pela sociedade civil, que se reúne desde segunda (23) num Seminário online onde uma das contribuições é a criação de um conselho permanente responsável em identificar prioridades de investimentos e modelos de aplicação dos recursos, que podem impactar profunda e positivamente a cidade.


O seminário está sendo transmitido aqui e é possível participar.



É uma oportunidade única para o soerguimento de São Gonçalo. Mas, ao mesmo tempo, momento de se manter pelo menos um pé atrás com o novo modelo de saneamento e de fornecimento de água a ser adotado pela nova empresa concessionária, a Águas do Rio.


Muito provavelmente, com a hidrometização das residências, o poder público municipal ou estadual seja obrigado a entrar com algum subsídio para compensar a universalização do "bolso doído" ou do aumento de tarifa, que com certeza virá.


Não existe almoço grátis, certo?



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