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Decisão judicial põe 2 mil gonçalenses na 'rua da amargura' no Anaia

Ao menos 500 famílias que ocupavam os "predinhos" do Minha Casa, Minha Vida foram despejadas


Por Cláudio Figueiras

Muitas pessoas não sabem pra onde ir/Foto: Reprodução Redes Sociais
Muitas pessoas não sabem pra onde ir/Foto: Reprodução Redes Sociais

Ocorre agora, agorinha, uma covardia sem limites contra ao menos 2 mil pessoas, entre elas centenas de crianças, gestantes e idosos.


Policiais federais, civis e militares cumprem nesse momento ordem de despejo nos chamados "predinhos do Anaia", conjunto de apartamentos construídos no bairro de Santa Isabel pelo programa Minha Casa, Minha Vida que estavam desocupados.


O Tribunal de Justiça do RJ, em decisão no final da tarde desta quinta (18), atendeu pedido de reintegração de posse feito pela Caixa Econômica Federal, proprietária dos imóveis que, segundo os ocupantes postos para fora dos apartamentos na manhã de hoje, estavam abandonados desde 2019.



Grande parte das pessoas que habitavam o conjunto residencial procuraram os predinhos como moradia após perderem tudo, incluindo suas casas, nas últimas enchentes ocorridas em São Gonçalo em fevereiro deste ano.


Sem rumo

Apesar do momento trágico, as pessoas seguram sua revolta chorando em silêncio enquanto desocupam os apartamentos. Alguns andando sem rumo com sacos plásticos recheados de roupas nas mãos e outros velando seus móveis velhos nas calçadas sob olhares ameaçadores dos policiais à espera de um caminhão de mudança que não vem.


Nos arredores dos predinhos, foi visto um ônibus que cobre as linhas Santa Isabel, Sacramento e Alcântara atravessado no meio da pista. O único incidente registrado até o momento. A Polícia, que montou grande aparato para acompanhar a operação, não soube informar os responsáveis pelo bloqueio.


Tanto a prefeitura de São Gonçalo quanto o governo do estado não se manifestaram sobre o ocorrido hoje com as milhares de pessoas que não têm onde ficar.


O direito à moradia é garantido no artigo 6º da Constituição Federal Brasileira. O artigo afirma que “são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados” na forma da Constituição.


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