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Defender a vida sob qualquer condição - por Mário Lima Jr.


Foto: Reprodução Internet
Foto: Reprodução Internet

É resultado da vida toda ação ou pensamento humano, por menor que seja. Inclusive atos e intenções que não respeitem plenamente a vida. Discutir quando ela começa é estupidez. Do ventre materno à velhice, cada vida humana possui valor único e deve ser amada e defendida sob qualquer condição.


A vida não perde valor nem quando alguém aponta um fuzil. Por isso, um país com dignidade não parabeniza a polícia depois que bandidos são mortos em confronto. Uma sociedade decente lamenta o risco que a polícia sofreu e trabalha duro, sem comemorar, para que as armas sejam retiradas das ruas, dos morros e das periferias e ninguém – principalmente a polícia – seja ameaçado por elas.



Protestar contra o aborto e abandonar mulheres que buscam clínicas clandestinas e morrem durante o procedimento permite a manutenção do país injusto em que vivemos. Elas precisam ser ouvidas e acolhidas antes que matem ou morram, a vida delas tem tanta importância quanto aquela que carregam no ventre.



A primeira célula logo após a concepção envolve todo amor de Deus pela humanidade. Então o que Jesus Cristo faria diante de uma menina de 10 anos grávida depois de ser estuprada? Sua primeira atitude seria um abraço de tanta compaixão que a morte passaria longe dali. Assim deveríamos agir, ao invés de perseguir a garota e a família dela com blasfêmias. A lei humana que permite o aborto após o estupro é a mesma que autoriza a polícia, aplaudida, a atirar em legítima defesa. Mas se a vida fosse defendida sob qualquer condição, matar jamais seria legítimo.


Esquecemos o bebê faminto em casa, o menino e a menina pedindo esmola na rua e o jovem recrutado pelo crime. Não há campanhas em defesa da vida deles. A família que conta com discursos de proteção é aquela que admite a morte de mulheres que desejam abortar, que aceita chacinas nas favelas, envolvendo inocentes, e que sequer se preocupa com 33 milhões de brasileiros passando fome (CNN). No cálculo final, há mais desprezo do que valorização da vida, embora sejam tão diversas as condições que afetam o destino das pessoas.

 

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Mário Lima Jr. é escritor.



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