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Emília Ferreiro - Presente!

Por Coletivo Ela


Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Reverenciamos a passagem dessa maravilhosa pesquisadora com a costumeira saudação dos companheiros de militância progressista - seja em sindicatos, na academia ou até mesmo em partidos da esquerda.


E isto porque quem teve a oportunidade de estar em suas palestras no Brasil é testemunha da simplicidade, do amor e do respeito que Emília nutria pelos pequeninos da América Latina.


Do lugar em que falo, a alfabetização, é indescritível a dimensão que assume sua obra psicogênese da língua escrita: quebra cultura dominante quando nos aponta, por exemplo, que oje, oge ou hoje são signos de um mesmo significante, que letras aleatórias ou bolinhas representam pensamentos. E nós, alfabetizadores, com a obra dessa magnífica aluna de Jean Piaget, fazemos dos erros, caminhos para a construção de leitores e escritores!


Destacamos a questão da mudança de perspectiva sobre a aquisição da leitura e escrita. Deslocar a ênfase dos métodos. É preciso ouvir o aprendiz, compreender qual a fase construída. De nada adiantam folhas mimeografadas, cartilhas se não conhecemos as hipóteses de leitura desse aprendiz.


Bregunci afirma que “o termo psicogênese pode ser compreendido como origem, gênese ou história da aquisição de conhecimentos e funções psicológicas de cada pessoa, processo que ocorre ao longo de todo o desenvolvimento, desde os anos iniciais da infância, e aplica-se a qualquer objeto ou campo de conhecimento”.



A genialidade de Emília ao trazer essa fundamentação para o campo da aquisição da escrita faz do sujeito cognoscente de que nos fala Paulo Freire o protagonista no uso concreto da linguagem que representa seu estar num mundo cheio de constructos sociais. A revolução na alfabetização é a expressão da criança mediada pelo professor que lhe apresenta os códigos de linguagem que lhe permitirão comunicar-se.


A inovação desta concepção de alfabetização é porque inclui todos os alunos que anteriormente eram considerados “burros”, “preguiçosos”, “difíceis de escrever” e deixados de lado, no fundo da sala ou reprovados por não decorarem os textos tidos como ideais para a alfabetização ou por escreverem com aglutinações ou omissões de letras, e o pior, não receberem intervenções para superarem a fase em que se encontravam, até porque, antes da psicogênese da língua escrita, os professores alfabetizadores consideravam que esse tipo de grafia era erro e não um caminho


Nós, brasileiros ainda contamos com Paulo Freire e Magda Soares, que ao lado da argentina Emília Ferreiro ampliam a percepção docente sobre o sujeito que sabe e aprende com o letramento do mundo no qual existimos e atuamos. E entre pré-silábicos, silábicos e alfabéticos vamos construindo as leituras de mundo freirianas.


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