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Enchentes e o não-problema de São Gonçalo - por Helcio Albano


Enchentes de 2016/Foto: PMSG via Agência Brasil
Enchentes de 2016/Foto: PMSG via Agência Brasil

Todos os anos as chuvas intensas nos oferecem um fenômeno onde todos, absolutamente todos, são culpados. E a única que se safa nessa história é a natureza, aliás, cada vez mais brava com os gentios da Terra Plana. Inundações, deslizamentos, queda de árvores e de energia, engarrafamentos e tudo mais de ruim que acontece só tem um único culpado: nós mesmos.


E isso vale dizer governos de vista grossa e vereadores acumpliciados e sem noção, gente irresponsável, desassistida ou espertalhona que constrói desde barracos a bangalôs em encostas de morros, nas margens e até em cima de rios, rebaixados criminosamente pela população a valões graças à nossa infinita estupidez.


Diz a filosofia prática de botequim que quando um problema se torna tão grande ao ponto de ser irresolvível, torna-se um não-problema. É o caso das enchentes em São Gonçalo, onde o poder público, só para resolver os alagamentos crônicos da região de Neves, teria que investir alguns milhões de reais refazendo, praticamente, toda a rede de esgoto e de escoamento de águas pluviais criado ainda no início do século XX para servir basicamente a uma indústria que hoje não existe mais.



E ninguém, nem governos do estado e federal, muito menos Prefeitura, quer enterrar - literalmente - milhões de reais numa coisa considerada sazonal, logo logo esquecida ao primeiro sol forte a despontar nas montanhas de Santa Isabel. Faz-se um BRS que tá tudo certo. Isso porque são os novos velhos rumos, capiche?


Trata-se o caso com ações paliativas e vida que segue. Os mais remediados levantam barreiras contra a invasão das águas nos seus imóveis. O que vale para a cidade inteira.


Tentou-se, e eu estava lá, dar alguma dignidade ao município com o projeto de dragagem e revitalização do Rio Imboaçu, que eliminaria 80% das enchentes em sua área de vazão, além de livrar de boa parte de suas margens e leito centenas de construções irregulares levantadas há décadas graças a já citada vista grossa dos governos.


Na época, 2013, o projeto, que também previa ciclovia, estava orçado em R$ 120 milhões. Dados os benefícios para a cidade, uma obra barata, que foi interrompida sem um pio que fosse da municipalidade.


Outro projeto de tal envergadura, o do Rio Alcântara - que teve, inclusive, dinheiro liberado, mas que voltou pra Brasília por falta de projeto executivo do governo Panisset - jaz em alguma gaveta, esquecido por políticos e sociedade civil.



Plus

Nos anos 1990, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara rasgou boa parte da cidade e instalou imensas galerias de águas pluviais e de esgoto que desembocariam na estação de tratamento do Boa Vista, desde sempre desativada.


Segundo um engenheiro da Odebrecht responsável pelo canteiro de obras do Imboaçu, pelo menos na região do Boaçu, essas galerias estão cerradas.


Taí uma coisa a se perguntar à sucessora da Cedae, a Águas do Rio.

Bônus

Tô com o Oswaldo Mendes! Vamos explodir a Estrada do Comperj! Quem permitiu a construção daquele trambolho devia ser condenado à danação eterna dos joelhos no milho velho.

 

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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.




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