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Guarda Municipal dá passo atrás e adia paralisação após assembleia

Decisão foi tomada nesta segunda, na sede do Sindspef. Em dezembro, prefeito Nelson Ruas (PL) retirou gratificação dos servidores


Por Felipe Rebello

60 guardas participaram da assembleia/Foto: Reprodução Facebook Sindspef
60 guardas participaram da assembleia/Foto: Reprodução Facebook Sindspef

Apesar de se sentir profundamente traída pelo prefeito Nelson Ruas (PL), que é servidor público PM, a Guarda Municipal decidiu não fazer paralisações ou quaisquer outras medidas de protesto contra a retirada de gratificação da categoria pelo governo no final de dezembro.


Nesta segunda (25), os guardas se reuniram na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Efetivos de São Gonçalo (Sindspef-SG) em assembleia extraordinária setorial para decidirem quais ações seriam tomadas em resposta aos cortes nas gratificações realizados pelo governo, que revogou, no dia 31/12/21, o Decreto Municipal nº 066/98 de 1988 que garantia o bônus por produtividade no trânsito.


A atitude do prefeito com a categoria, no apagar das luzes de 2021, gerou na tropa um profundo sentimento de traição, pois via no capitão reformado da PM um aliado, devido seu discurso enfático em favor das pautas e dos servidores da segurança pública. A maioria esmagadora dos guardas municipais votou em Nelson Ruas em 2020.



Segundo Ewerton Luis, presidente do SINDSPEF, a Prefeitura não está aberta ao diálogo, ignorando completamente as reivindicações dos servidores:

Os guardas falaram muito em traição, pelo ataque do Governo Capitão Nelson. Por ele ser servidor e PM, se sentiram surpresos com o comportamento do governo em sequer chamar os representantes dos servidores para buscar junto uma solução”.


E reiterou:


A categoria está revoltada com o comportamento do Sr. Prefeito que não quer falar sobre o assunto”.


O descaso e a falta de diálogo não deixaram opção à Guarda Municipal senão organizar a assembleia, que contou com cerca de 60 integrantes, onde foram levantadas algumas possibilidades como formas de protesto, como paralisação de 24h acompanhada de manifestação pela manhã nas escadarias da Prefeitura.


Depois de muita conversa, a tropa decidiu abortar a paralisação e as manifestações, optando por mais uma tentativa de diálogo com a Prefeitura. O jurídico do Sindspef estuda judicializar o assunto.


O ex-vereador Maciel (PL) - em áudio considerado intimidatório que correu no WhatsApp - e o comandante Antônio Machado dos Santos (Dos Santos) foram os principais articuladores e partidários de uma saída amistosa com a Prefeitura, argumentando em favor de mais uma tentativa de diálogo, uma vez que atores do próprio governo teriam dito que uma “manifestação sem diálogo” poderia acarretar em mais problemas do que soluções.



A guarda deu um passo atrás, optando por seguir as orientações do ex-vereador e do comandante da guarda.


Ficou decido que a tropa iria apenas mandar um ofício nesta terça (25/01) em mais uma tentativa de diálogo. Contudo, se não houver resposta ainda essa semana, uma nova assembleia será convocada para a deliberação de uma manifestação próxima ao dia do pagamento dos servidores, no final de fevereiro.


O SINDSPEF relata que mesmo informando a toda tropa a dificuldade de diálogo com o Governo do Capitão Nelson, onde os ofícios não são respondidos e muito menos reuniões agendadas, a deliberação em assembleia é soberana, e que o sindicato respeita o posicionamento dos servidores.


Edição: Helcio Albano

 

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Felipe Rebello é professor de História e psicopedagogo.





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