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Justiça manda libertar mulheres presas por espionagem de operações do Bope

Para juiz não há provas de que dupla presa pela PM estivesse colaborando com um grupo criminoso


Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Extra - O juiz Leonardo Rodrigues da Silva Picanço, da 42ª Vara Criminal da capital, determinou nesta quarta (6), que sejam postas em liberdade Carolina Teixeira da Silva e Keley Cristina Domingos dos Santos. As duas foram presas, em 21 de junho, sob a suspeita de monitorar a saída de equipes do Bope e do Batalhão de Choque rumo a operações e repassar informações a traficantes. As duas foram presas por policiais militares e tiveram o auto de prisão em flagrante feito na 21ª DP (Bonsucesso).


O magistrado mandou que seja relaxada a prisão das duas e expedido o alvará de soltura. Na decisão, o magistrado diz que "o Ministério Público pugnou pelo relaxamento da prisão das indiciadas, bem como pelo arquivamento do feito, ante a ausência de elementos para se imputar conduta criminosa".


O juiz afirma, na decisão, que "o noticiante não trouxe aos autos indícios mínimos da ocorrência do ilícito penal. Não há demonstração da estabilidade e da permanência da associação criminosa. Com efeito, no presente caso, não foi mencionada a existência de nenhuma organização, associação ou grupo criminoso com que as indiciadas estivessem colaborando como informantes".




Há uma crítica do magistrado, ainda, à decisão de manter Carolina e Keley Cristina presas em flagrante: "para a lavratura do flagrante, seria necessário que fossem conhecidas outras circunstâncias que permitissem uma melhor ideia do quadro geral, inclusive para viabilizar a imputação técnica das condutas às acusadas".


Por meio de nota, a Secretaria de Polícia Militar informou que "decisões judiciais devem ser cumpridas". E prossegue: "Sobre a ação, nossas equipes conduziram pessoas envolvidas em um esquema de filmagem instalado na entrada de unidades especiais da corporação, o que levantou imediata suspeita. Os demais trâmites processuais do caso seguem sob investigação da autoridade delegada e apreciação das demais esferas do Poder Judiciário". Procurada, a Polícia Civil ainda não se posicionou sobre o fato.


Os advogados Juan César de Oliveira Leite, Paulo Cesar Costa da Silva e Felipe Alves da Silva, que representam Keley Cristina, também divulgaram nota afirmando que "os elementos informativos constantes na investigação policial, em relação à patrocinada, são frágeis e insuscetíveis para o início de qualquer persecução penal, de modo que, tudo será devidamente provado no decorrer do devido processo legal".

 

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