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Justiça seja feita

Por Paulinho Freitas


SÃO GONÇALO DE AFETOS



Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

De onde vêm suas histórias? Essa foi a pergunta que um  conhecido me faz ao me encontrar na feira do Paraíso, num sábado pela manhã, de céu cinzento e  chuvoso. Ele, numa barraca que vende carne de porco, reclamando o preço da “barriga”, prato semanal dele aos sábados à noite com aquela dose caprichada de vodka e uma boa cervejinha gelada para rebater. Na hora viajei. Lembrei que este meu amigo quando criança fazia de um tudo para ter um dinheirinho. Vendia picolés, pipas, amendoins e também fazia de um tudo para se dar bem sobre alguém. Seja lá quem seja esse alguém. Na casa dele, na hora do almoço não se podia vacilar, se olhasse para os lados, pronto! Já era o bife do prato. Ele pegava com uma rapidez de punguista e morria chorando dizendo que não foi ele. 



Já adolescente conseguiu emprego numa gráfica de onde surrupiava papéis e vendia para uma turma que fabricava e soltava balões. Quando o dono descobriu o desfalque o meliante não exitou em apontar um colega de trabalho que obviamente nada tinha haver com o assunto. Por este ato, foi promovido. Agora trabalhava no escritório, no setor de compras. Aí é que as coisas pioraram. Era um puxa sacos inveterado e se transformou no melhor amigo do dono da gráfica. 


Um Judas, beija a face do amigo nos finais de semana, apontando o dedo para todos os lados e roubava-o durante toda a semana, ao ponto de levar a gráfica à falência e desmaiar no enterro do amigo que suicidou-se ao saber o papel de otário que fez ao confiar no Judas que colocou dentro de sua casa. 


Enfartou sem conseguir revelar o verdadeiro responsável pelos consecutivos desfalques. Esta culpa caiu sobre o responsável pelo departamento de contabilidade que jamais conseguiu novo emprego na profissão. Hoje é taxista. 


Não satisfeito, este conhecido ainda conquistou a viúva, abocanhando o que sobrou do patrimônio do ex patrão, se instalando em sua casa, usufruindo  daquilo que não lutou para conquistar. 


De repente ele me dá um safanão, me perguntando se estava eu dormindo. Não, respondi. Dei uma viajada, mas já voltei.  


_Criou mais uma história? Perguntou ele. 


Não, revivi. Respondi. 


Notei que quando cheguei, alguém pagou a conta com uma nota de cinquenta e ele também pagou com uma nota de cinquenta. Ao nos despedirmos, ele foi para a barraca de frutas, escolhendo pitaias gargalhava enquanto o dono da barraca de carnes esbraveja com o seu empregado sobre o sumiço das duas de cinquenta, que na verdade era uma só. 


As histórias chegam daí. Espichadas, encolhidas, floreadas, mas nunca inventadas. Sempre estarão lá, as coincidências da vida. 


Hoje penso que “a justiça tarda, mas não falha”. 

Será? 


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.



 

 

 

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