Laboratórios de IA compram, escaneiam e trituram milhões de livros raros para treinar máquinas
- Jornal Daki

- 29 de jul.
- 2 min de leitura
Empresas de tecnologia buscam dados de alta qualidade em obras físicas e destroem os exemplares originais; prática é legal nos EUA sob justificativa de "uso aceitável"

Grandes laboratórios de inteligência artificial iniciaram uma corrida industrial para comprar milhões de livros antigos, esgotados e raros. O objetivo é extrair o conhecimento das páginas para treinar modelos de linguagem e, em seguida, triturar o papel. A prática acendeu o alerta sobre o risco de extinção de edições históricas com poucos exemplares restantes no mundo.
Vendedores de livros raros na Europa e nos Estados Unidos relatam um pico sem precedentes nas vendas. Um livreiro revelou que passou de 20 vendas por semana para centenas de pedidos da noite para o dia, a maioria composta por obras raras e manuais técnicos em línguas estrangeiras.
A razão para o repentino interesse é que a internet acabou. Os modelos de linguagem que alimentam ferramentas como o ChatGPT já consumiram quase todo o conteúdo relevante da web. Além disso, a internet atual está poluída por textos gerados por IA posteriores a 2022. Para treinar a próxima geração de inteligências artificiais com dados puros e de alta qualidade, as Big Techs precisam recorrer ao conhecimento impresso antes da era dos grandes modelos.
Empresas intermediárias já transformaram o escaneamento destrutivo em um modelo de negócios lucrativo. A plataforma ISBNdb passou a oferecer serviços de compra em lote para laboratórios de tecnologia, com pedidos que chegam a 1 milhão de títulos por lote. A plataforma resume: "O melhor dado de treinamento de IA do mundo está parado em uma estante".
Processos judiciais revelaram que a Anthropic (criadora do modelo Claude, financiada pela Google) operava em segredo o "Projeto Panamá", que consistia em comprar toneladas de livros usados para submetê-los a guilhotinas hidráulicas e escâneres industriais. A meta interna era "escanear disruptivamente todos os livros do mundo".
A prática ganhou respaldo jurídico nos EUA após um tribunal federal validar que a destruição do livro físico durante o escaneamento configura "uso aceitável" (fair use). O entendimento é que, ao destruir o original, a cópia digital substitui a física na proporção de um para um, não violando os direitos do autor.
Com informações do DCM.
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