Lula discute com ministros situação de Jaques Wagner após operação da PF
- Jornal Daki

- 19 de jun.
- 2 min de leitura
Presidente calcula impacto político da nova fase da Operação Compliance Zero, que mira suspeitas envolvendo o Banco Master. Ala do Planalto defende substituição do líder do governo no Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou ministros ao Palácio da Alvorada nesta quinta-feira (18) para discutir os efeitos da nova fase da Operação Compliance Zero, que mira suspeitas envolvendo o Banco Master e tem como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Nos bastidores do Planalto, uma ala avalia que a operação prejudica a imagem do governo e afeta a articulação política na Casa, defendendo que Wagner seja substituído na liderança. Por enquanto, no entanto, prevalece a avaliação de que Lula só deve tomar uma decisão após uma conversa pessoal com o parlamentar e outros aliados.
Lula conversou por telefone com Jaques Wagner ainda na quinta-feira, mas auxiliares afirmam que o presidente prefere aguardar uma reunião presencial antes de deliberar sobre o assunto. Como o petista terá compromissos no Sudeste nos próximos dias, o encontro deve ficar para a próxima semana.
Interlocutores do presidente dizem que o Planalto já estava preparado para responder a questionamentos sobre possíveis conexões do PT baiano com o caso. A operação contra Wagner, no entanto, surpreendeu integrantes do governo. O senador e familiares foram alvos de busca e apreensão. Ele é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do Banco Master e nega ter atuado em favor da instituição.
Após a operação, o PT alinhou o discurso interno. A principal orientação é individualizar eventuais responsabilidades de Wagner ou de qualquer outro aliado citado nas investigações, tentando preservar Lula, que disputa a reeleição. O partido pretende manter o caso Banco Master em sua comunicação política e nas redes sociais, destacando que o adversário de Lula na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também aparece ligado a personagens investigados.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Wagner é “depositário de confiança”, mas declarou apoio às apurações. “Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, escreveu.
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