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Milei é denunciado na Argentina por usar recursos públicos em comício de Flávio no Brasil

Advogados argentinos acusam o presidente de desviar dinheiro público para participar de ato político da oposição brasileira, o que configura crime de malversação de fundos


A dupla/Foto: reprodução
A dupla/Foto: reprodução


Dois advogados argentinos protocolaram uma denúncia criminal na Justiça Federal da Argentina contra o presidente Javier Milei, acusando-o de utilizar recursos públicos para participar da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, no último sábado (25), em São Paulo. As informações da coluna da Monica Bergamo, na FSP.


A ação, apresentada pelos advogados José Lucas Magioncalda e Juan Martín Fazio, atribui a Milei os crimes de malversação de recursos públicos e descumprimento dos deveres de funcionário público. Segundo os denunciantes, a viagem ao Brasil teve caráter essencialmente partidário, e não institucional, o que tornaria indevido o emprego da estrutura oficial do Estado argentino.


Na peça, os advogados sustentam que Milei utilizou o avião presidencial, a comitiva oficial e recursos do Tesouro argentino para apoiar uma candidatura partidária em outro país. Para eles, a estrutura pública foi desviada para beneficiar “uma parcialidade política”, contrariando a finalidade prevista para gastos de representação internacional.


O texto também afirma que o presidente argentino agravou a crise diplomática ao atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes durante o evento. Na avaliação dos denunciantes, as declarações violaram o princípio da não intervenção em assuntos internos de outro Estado e provocaram prejuízo às relações bilaterais entre Brasil e Argentina.


Os autores da ação afirmam que os recursos públicos destinados pela lei orçamentária argentina à representação internacional foram utilizados para uma finalidade diversa da prevista. A denúncia sustenta que o deslocamento não atendeu a interesses do Estado argentino, mas a objetivos político-eleitorais ligados à campanha de Flávio Bolsonaro.


O episódio amplia a dimensão da crise iniciada após a visita de Milei ao Brasil. Além da reação do governo brasileiro, que classificou as declarações do presidente argentino como interferência em assuntos internos, o caso agora passa a produzir consequências também na esfera judicial argentina. A denúncia ainda deverá passar pela análise da Justiça Federal, que decidirá se há elementos para instaurar uma investigação formal contra Milei.


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