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'Minha casa vale meio milhão, mas não pagam 100 mil'. A rotina de quem convive com barricadas em SG

Família do Jardim Catarina narra como é viver com medo e insegurança


Por Cláudio Figueiras

Jardim Catarina tem mais de 100 pontos com barricadas/Foto: O São Gonçalo
Jardim Catarina tem mais de 100 pontos com barricadas/Foto: O São Gonçalo

Pouco mais de um ano depois da vitória do prefeito (Capitão) Nelson Ruas (PL), tendo como principal promessa de campanha a retirada das barricadas das ruas de São Gonçalo, nada mudou.


O problema continua e impacta diretamente a qualidade de vida dos gonçalenses, obrigados a mudarem rotinas simples de ir e vir e a verem o valor do seu patrimônio ruir frente ao quadro generalizado de insegurança, violência e tiroteios constantes entre policiais e bandidos, que dominam territorialmente vários bairros da cidade.


É o caso do Jardim Catarina. Matéria assinada pela jornalista Renata Sena, do jornal O São Gonçalo, traz a história de apenas uma família que ilustra a situação de milhares de moradores obrigados a conviver com essa realidade sem conseguirem enxergar uma luz no fim do túnel que os tirem dessa situação de medo e abandono pelas autoridades.



A família, narra a jornalista, retirou os filhos de casa, para que os jovens adultos e estudantes de faculdade não precisassem passar todos os dias pela experiência vexatória de retirar barricadas ao chegarem em casa por descaso e incompetência do poder público.


Somos mais velhos e não podemos abandonar o único patrimônio da família, que é nossa casa, construída com muito suor e lágrimas por mais de 15 anos. Isso aqui era a única coisa que ia deixar para eles. Mas chegamos num ponto, que eu nem quero que eles venham aqui”, contou o pai da família, professor aposentado.


Sem opção, o casal está ajudando num aluguel para que os filhos tenham um pouco mais de tranquilidade ao chegarem à noite da faculdade.


Aqui, eu construí casa que vale quase meio milhão, se for pensar no imóvel de forma isolada. Se for pensar no local, acho que não me pagam R$ 100 mil”, lamentou o homem, que finaliza desabafando:



Aos finais de semana não podemos sair de casa. Se tiver baile, não conseguimos sair de casa, dormir então, nem se fala. Se tiver barricada, o carro tem que ficar longe e a gente precisa andar até em casa. Acordamos agradecendo pela noite passada e dormimos pedindo a Deus para nos proteger. A casa própria era um sonho, mas agora a gente só sonha em poder sair daqui”.


Está na mesma situação? Conte a sua história pra gente sob total anonimato. Email: dakijornal@gmail.com e WhatsApp/Telegram 21 97124-4527.

 

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