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Mulher sangra, e daí? Por Cristiana Souza


Imagem: Reprodução Internet
Imagem: Reprodução Internet

Estava produzindo um texto sobre a pane nas redes sociais nesta segunda e o quanto somos dependentes do mundo virtual nos dias atuais, quando me deparei com a notícia do veto para distribuição gratuita de absorventes para mulheres em vulnerabilidade social, pelo inominável que ocupa a cadeira presidencial.


Vamos aos fatos.



Conforme informações da Agência do Senado, após "ouvido o Ministério da Economia e o Ministério da Educação, o presidente decidiu vetar o artigo primeiro do projeto, que previa "a oferta gratuita de absorventes higiênicos femininos e outros cuidados básicos de saúde menstrual", bem como o artigo terceiro, que apresentava a lista de beneficiadas, tais como estudantes de baixa renda matriculadas em escolas da rede pública de ensino; mulheres em situação de rua ou vulnerabilidade social extrema; mulheres apreendidas e presidiárias, recolhidas em unidades do sistema penal; e mulheres internadas em unidades para cumprimento de medida socioeducativa".



Em média, nós mulheres menstruamos durante 35 anos. São mais de 3 décadas sangrando mensalmente, dividido em aproximadamente 400 ciclos nos quais perdemos até 80 ml de sangue a cada ciclo.


Isso sem contabilizar as mulheres que têm problemas como mioma e outras enfermidades, as quais provocam hemorragia e sofrimento por vários dias durante o ciclo menstrual, causando muitas vezes o afastamento das atividades laborais.



O impacto do veto sobre a distribuição gratuita de absorventes na vida de meninas e mulheres pobres será imenso, pois a situação da pobreza menstrual é uma triste realidade em suas vidas. E conforme aponta a Unicef, é vivenciada devido à falta de acesso a recursos, infraestrutura e conhecimento para que tenham plena capacidade de cuidar da sua menstruação.


Em consequência à situação da pobreza menstrual, meninas deixam de ir à escola por vários dias durante o ciclo; a troca de absorvente não é feita com a regularidade necessária; de três a seis vezes por dia conforme orientação de ginecologistas, ficando com o mesmo absorvente por diversas horas e muitas ainda utilizam de meios não higiênicos para conter a menstruação.



A minha percepção sobre esse veto é de que hoje estamos extremamente desprotegidas do amparo do Estado, e enquanto tivermos um governo misógino e perverso no poder, continuaremos sangrando e sofrendo numa sociedade marcada pelo retrocesso, desumanidade, desigualdade de gênero e ausência de políticas públicas.

Cristiana Souza é Assistente Social.



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