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No princípio também era o café em SG - por Erick Bernardes


Foto: https://www.cafeodebrecht.com.br/historia-do-cafe
Foto: https://www.cafeodebrecht.com.br/historia-do-cafe

Ser gonçalense não é viver somente as coisas do passado: é bem mais que isso! É ter a habilidade de misturar o passado ao presente e extrair orgulho daí, criticar sem deixar os de fora falarem mal, lisongear-se de sobreviver em uma das mais populosas cidades do Brasil.


Dia desses, após a prova do concurso para professores do município de SG, na saída do Colégio Clélia Nanci, a professora Tatiana me perguntou: "Erick, você já pensou em escrever sobre o passado pioneiro gonçalense na plantação de café do estado do Rio e sobre as cafeterias do tipo gourmet que vêm surgindo no município?". "Não", respondi. Confesso que o assunto me surpreendeu. Embora o ramo do café esteja presente até no brasão municipal, jamais cogitei a ideia. Contudo, pensei melhor, isso deu pano pra manga. Então vamos à narrativa.



A história do café precisa ser contada desde o começo. Isso mesmo, necessário contextualizar, nada de começar pelo meio, pois de meias histórias o cidadão já se mostra saturado.


Sabe-se que o café surgiu na Etiópia e, posteriormente, chegou à Arábia, conquistando, no século XVII, um vasto território. Com as viagens marítimas dos europeus às Índias, os mercadores ocidentais já se abasteciam com grãos do Coffea arabica.


De acordo com a Revista Cafeicultura: "Ao que tudo indica, a primeira região onde se plantou café na América do Sul foi o Suriname, sob domínio holandês, no início do século XVIII" (BELTRÃO, 2018). Tempos depois plantaram a espécie na Guiana Francesa. Não demorou muito e a rubiácea chegou ao Brasil.



Há certa fofoca de que o militar brasileiro Francisco de Melo Palheta (1670 -?) teria seduzido a esposa do governante franco-guianense, no intuito de conseguir algumas mudas do café e plantá-las em solo amazônico. No entanto, não deu certo, as plantas cafeeiras não se adaptaram à região do Amazonas e do Pará, só assim a segunda tentativa de plantio do café se realizou. E sabe qual estado foi o escolhido? Exato, o Rio de Janeiro e suas cercanias. Daí é que SG entra na história, já que por um lado o café espalhava sua cultura para os lados de Resende e adjacências e, por outro lado, partia de São Gonçalo, passando por Itaboraí, Maricá, até alcançar o Espírito Santo. Ou seja, pioneirismo sim, em terras de papa-goiabas.


Hoje a nossa cidade parece viver um "boom" de cafeterias de ótima qualidade na região. Isso é muito bom para os apreciadores da bebida estimulante e para o comércio. Há o Empório Vírgula (no Boaçu), o Café Container (no Zé Garoto) e o Justo Café (perto do mercado Guanabara). Sem contar o charme que é ver um local mais estiloso que outro a oferecer o líquido precioso para quem desejar desfrutá-lo. Pois é, está aí a dica, que tal uma xícara de café para papear um pouco? Até.

Referência:

https://revistacafeicultura.com.br

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.





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