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Nossos estudantes e escolas são os melhores

Por Aldaléa Figueiredo dos Santos

Professoras em protesto na Prefeitura de São Gonçalo (2022)/Foto: Reprodução Internet
Professoras em protesto na Prefeitura de São Gonçalo (2022)/Foto: Reprodução Internet

O início do ano letivo de 2022, nas escolas do Município de São Gonçalo, guardava grande expectativa. Nós, professores, fomos surpreendidos com a imposição de um novo plano de carreira que muito nos desrespeita. Concomitantemente, líamos nas redes sociais da prefeitura que as escolas estavam sendo reformadas e que iriam ganhar novos espaços como Salas de Leitura e de Informática, além de kits escolares para estudantes e professores.


No entanto, sofremos mais uma decepção, tudo estava confuso e até hoje não vimos tais recursos sendo aplicados integralmente.


O problema se agrava com essa arbitrariedade na troca de diretores. Em uma grande escola da rede municipal, depois do feriado de carnaval, fomos comunicados da saída do diretor, porém já havia sido nomeado em diário oficial, um substituto que não conhecia a realidade da escola. E o mais grave, sem consultar à comunidade escolar. As escolas em geral, iniciaram o ano incompletas, culminando com a falta de muitos professores, por consequência, alunos sendo dispensados mais cedo e muitas vezes sem ter uma aula sequer. Muitos pais questionam se vale a pena pagar a passagem do filho, porque o RioCard não funciona, sem saber se haverá aula.


Mesmo depois do feriado de carnaval, as escolas permanecem sem professores suficientes para cobrir tantas necessidades. A jornada suplementar (nome novo dado às horas extras) também não foi liberada em muitas escolas, há mais disciplinas sem professores do que com professores. Faltam funcionários em todos os setores. Por exemplo, em uma grande escola, há somente uma funcionária para toda a limpeza. A pergunta que não quer calar: Como manter as escolas abertas nestas condições?


ESSE TEXTO É UM GRITO!


Precisamos da ajuda da população, afinal descobrimos com a pandemia, de forma dolorosa, que é preciso reinventar-se. Sem essa “metamorfose”, a escola pública morre lentamente. Aprendemos que só com uma luta coletiva alcançaremos os nossos direitos.


A trajetória desses estudantes é nossa responsabilidade, o País precisa deles, que são o seu futuro. Investir em educação é garantir cidadania, uma sociedade com menos violência, menos pobreza, mais empregos e a compreensão de que podemos ter uma vida mais digna.

Segundo Edgar Morin - sociólogo, antropólogo e filósofo - "é preciso ensinar a compreensão humana”, complementando-o de forma antagônica, é importante compreender o humano para ensinar. Para tanto, é preciso observar que a escola merece investimento.


Nossos estudantes são os melhores, porque são nossos. É imprescindível que o estudante tenha consciência de sua força. Todos nós somos responsáveis pelos cidadãos que eles estão se tornando, portanto, reivindiquemos melhores escolas!


Colaborou: Revisora: Alba Nascimento

 

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Professora de língua portuguesa da Rede Municipal de São Gonçalo, doutora em educação pela UFF, membra do Coletivo ELA – Educação Liberdade para Aprender e colaborador da Coluna "Daki da Educação", publicada às sextas.


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