top of page

O Maciço de Itaúna outra vez - por Erick Bernardes


Foto: Erick Bernardes
Foto: Erick Bernardes

Na crônica passada balancei mais uma vez na gangorra das minhas certezas, quando referi à possibilidade de ter ocorrido atividade vulcânica no Maciço de Itaúna. Comentei de ter conseguido uma ótima narrativa de gente que se debruçou sobre esse mistério ou, pelo menos, presenciou tremores de terra para os lados do bairro Trindade.


Decerto o assunto rendeu, comentários surgiram, recomendei o texto do vulcanólogo Vitor Klein, pois ele afirmou, em certo artigo, existir de fato o tal vulcão. O saudoso jornalista Assuéres Barbosa também jurou ser o maciço um emissor de lava extinto, defendendo com esmero suas opiniões. Replicou até uma informação produzida pelo professor doutor André Luiz Ferrari, do Departamento de Geologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), quando publicou pesquisas afirmando que "a história geológica da região se inicia com a formação de rochas gnáissicas que constituem todos os morros baixos em torno do Maciço de Itaúna. Medições radiométricas indicam que elas se formaram há, aproximadamente, 60 milhões de anos" (BARBOSA, 2021).


Eu mesmo não sei, ou melhor, nem sabia, não tinha certeza. Mas como bom curioso, lá fui novamente atrás de evidências. Propagam por aí que em Cabo Frio e Nova Iguaçu também existe vulcão. No entanto, assim como dizem os jovens, só que não. Li um artigo escrito por Larissa Ventura, para o Diário do Rio, baseada em entrevista com a geógrafa Débora R. Barbosa, e olha o que encontrei:



Em Itaúna, assim como noutros lugares do Rio citados acima, as rochas que "foram interpretadas por trabalhos anteriores (Klein & Vieira, 1980; Klein, 1993; Klein et al., 1999; Silveira et al., 2005) como sendo depósitos extrusivos, ou seja, que foram até a superfície e depois solidificados com o resfriamento (lava quando resfria), o que poderia significar vulcões extintos”, nada tem a ver com erupções piroclásticas em algum tempo passado. Jamais houve isso de lava voando pelos ares de SG.


De acordo com a geógrafa Débora, o Maciço de Itaúna é verdadeiramente o que se convencionou nomear de câmara magmática. Isto é, não houve vulcão em solo papa-goiabas. Está mais para lenda que comprovação científica. Conforme sua fala: “a distribuição em áreas limitadas, os contatos subverticais de forma intrusiva (magma resfriando dentro da rocha) comprovam que essas rochas não são constituintes de depósitos de fluxo piroclástico (vulcão explodindo e lançando materiais, os piroclásticos), mas sim, de preenchimento de condutos e fissuras subvulcânicos, ou seja, dentro da câmara magmática”.


Pois bem, como cronista não ponho a minha mão no fogo, vez ou outra surgem novas evidências. Contudo, ecoando (por enquanto) as palavras da especialista, não há chance de um dia ser um vulcão ativo. "Ele nem era vulcão”, que coisa! Enfim.


Referências:

https://blogdojornalistaassueres.blogspot.com/2011/07/o-dia-em-que-o-vulcao-adormecido-de-sao.html?m=1

https://diariodorio.com/macico-de-itauna-em-sao-goncalo-nao-e-um-vulcao/

 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.




POLÍTICA