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O Sorriso da Passista II: Capítulo final - por Paulinho Freitas


Foto: Cristiana Souza
Foto: Cristiana Souza

...O malandro acorda com um domingo já pela metade, a boca seca, a cabeça doendo, ainda meio tonto não se lembrando de como chegou em casa. Correu à janela para ver se o carro ainda estava na garagem. Graças a Deus, estava. A mente começa lentamente a trabalhar, as lembranças vão chegando, o semblante dele vai mudando, a raiva vai crescendo em seu coração.


Tomou banho, tentou sair, mas não conseguia, estava enjoado, vomitando, não conseguia ficar de pé por muito tempo. Deitou novamente e à noite, já melhor nada mais esperou, pegou o carro e foi cumprir sua vingança, ela tinha que ser dele aquela noite de qualquer maneira. Entrou pela BR 101 como uma flecha, passou pela PRF tão rápido que nem o radar conseguiu captar.


Na entrada do bairro acendeu a luz do salão, ligou o pisca alerta e foi bem devagar até a porta da casa da amada onde apenas uma luz na varanda estava acesa, parecia a casa estar vazia.

Depois de muito bater palmas e chamar pelo nome da amada a porta se abre, uma senhora de camisolas e os cabelos em desalinho o atende e diz não ter mais ninguém em casa, além dela. Ao perguntar pela passista tem a seguinte resposta:



_ Ela já foi embora, só volta no outro carnaval, pegou o avião hoje cedinho, se quiser falar com a mãe dela vai lá no pagode da “boca beijada”. Ela está lá.


O malandro não teve ação. Saiu de cabeça baixa, entrou no carro e saiu balançando a cabeça negativamente, dando murros no volante e tapas no próprio rosto vociferando com a voz arrastada e feroz:


_ Eu vou esperar ela voltar, vai demorar um ano, mas eu espero. Quando ela descer no aeroporto a primeira cara que ela verá será a minha! Seu otário! Quanto mais velho, mais otário fica! De novo não! De novo nãooooo!!!


Ainda no avião a passista gargalhava da situação pensando com seus botões:


_Esses caras não se emendam, pensam que podem tudo, que somos objetos da vontade deles. Um dia eles aprendem que para mulher não existe malandro. Tomara que ele esteja me esperando no próximo ano. Vai chorar de novo!


Já em sua varanda o malandro bebe um conhaque e ouve um disco da Maysa:


“Meu mundo caiu...”


Toma jeito sujeito!!!!!


Para saber como tudo começou leia “COISAS DO TIGRE” À venda na Livraria Ler e arte, Rua Cel Moreira César, 97 no Bairro: Zé Garoto ou na Apologia Brasil apologiabrasil@gmail.com


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Paulinho Freitas é sambista, compositor e escritor.



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