top of page

O vulcão de São Gonçalo: o retorno - por Erick Bernardes


Fonte da foto: http://saogoncario.blogspot.com
Fonte da foto: http://saogoncario.blogspot.com

O que pensar de um mundo cujas certezas estão mais para iô-iô de informações do que conhecimentos compreendidos como definitivos? Cresci com a história de que ovo de galinha fazia mal, depois fez bem. Café constituía veneno para as artérias, ano seguinte virou estimulante neurológico. Homem fazendo musculação atrofiava a "inteligência", mas agora os malhadores lotam academias. As músicas “Cai cai balão” e “Chicotinho queimado” de outrora se tornaram incentivo a crianças incendiárias. Deus do céu, isso tudo. O que dizer então do enredo sobre o vulcão gonçalense, existe mesmo? vamos à narrativa.


A conversa começou quando me dirigi ao Centro Cultural Palhaço Carequinha, situado dentro do prédio da Câmara dos Vereadores". A turismóloga Marina Ribeiro, responsável pelo espaço, me recebeu com a atenção rara em tempos sobremaneira líquidos. Conversas culturais interessantíssimas, lógico que o assunto tomou o rumo das histórias municipais. “Erick, você recorda que bati pé quanto à existência do vulcão de Itaúna, quando você postou um texto nas redes?”


De fato, certa vez, uma das crônicas publicadas em nossa coluna dominical afirmava ser lenda a tal informação acerca da existência de um vulcão em terras gonçalenses. Sim, verdade, afirmei ser a história um tipo de invenção. Até lancei como referência um artigo importante de cientistas renomados desmentindo a versão da atividade sísmica em Itaúna. Isso tudo baseado em informações técnicas de origem geológica. Porém, o bom do destino é que ele nos dá a rasteira e incute de novo na mente do escritor a tal da dúvida. Sim, exato, na conversa com a amiga turismóloga outras informações chegaram.


_ E você narraria pra mim essa sua experiência, Marina?


_ Bem, éramos um grupo: eu, o também turismólogo Adilson, a bióloga Vânia Ceia e o jornalista Assueres Barbosa subimos o maciço de Itaúna junto de um grupo grande de pessoas. Havia também estudantes da UFF, Uerj e Universo. A excursão virou reportagem no Jornal São Gonçalo naquela semana e, mais atualmente, ficou registrada no próprio blog do saudoso Assueres. Recordo também de uma época, de quando eu morava em Trindade, que a vizinhança inteira sentiu o chão tremer. Não nos dávamos conta do fenômeno, mas ocorreu, sentimos o tremor abaixo dos nossos pés.


Pois é, desnecessário afirmar que fui conferir o texto do referido jornalista, e está lá:


“O professor doutor André Luiz Ferrari, do Departamento de Geologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) publicou estudos dizendo que ‘a história geológica da região se inicia com a formação de rochas gnáissicas que constituem todos os morros baixos em torno do Maciço de Itaúna. Medições radiométricas indicam que elas se formaram há, aproximadamente, 60 milhões de anos’. No seu relatório, o professor diz, ainda, que "a atividade vulcânica começou há 68 milhões de anos com a formação dos sienitos (rocha clara grosseira) e continuou há 60 milhões de anos com a formação dos fonolitos, terminando há 50 milhões com a formação dos microsienitos (grãos finos) existentes na subida do percurso". Alunos do curso em pós-graduação da UFF, ao estudarem o vulcão, chegaram à conclusão de que ele deveria ter medido o triplo quando ativo, opinião seguida pelo vulcanólogo Vitor Klein, do Departamento de Geologia e Paleontologia da UFRJ, que já havia comprovado, anteriormente, a existência de um vulcão extinto no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Vitor chegou a visitar Itaúna. Os boatos da existência de um vulcão em São Gonçalo começaram em 1967, quando o bairro Trindade foi alvo de sucessivos abalos sísmicos de pequena intensidade. Os sinais davam conta de uma possível atividade vulcânica na região” (BARBOSA, 2011).


De fato, houve essa movimentação de terra, algum tipo de tremor. Estaria eu equivocado quando publiquei anteriormente a crônica desmentindo a existência do vulcão? Continuaremos esse assunto. Aguarde.



 

Ajude a fortalecer nosso jornalismo independente contribuindo com a campanha 'Sou Daki e Apoio' de financiamento coletivo do Jornal Daki. Clique AQUI e contribua.

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.