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ONU e Unicef registram maior declínio na vacinação infantil em 30 anos

Principais causas são pandemia, avanço da desinformação e aumento no número de crianças vivendo em áreas de conflito


Foto: Nelson Almeida / AFP
Foto: Nelson Almeida / AFP

Brasil de Fato - Números publicados nesta sexta (15) pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que o mundo está passando pelo maior declínio da vacinação infantil nos últimos 30 anos.


A porcentagem de crianças que receberam três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) caiu 5 pontos percentuais entre 2019 e 2021, para 81%. Isso significa que 25 milhões de crianças perderam uma ou mais doses de DTP somente em 2021. Em 2019, por exemplo, esse número era de 19 milhões. Na prática, há um contingente cada vez maior de crianças em risco de contrair doenças graves, mas evitáveis.


De acordo com ONU e Unicef, o declínio deve-se a diversos fatores, incluindo um número crescente de crianças que vivem em ambientes de conflito, onde o acesso à imunização é limitado, aumento da desinformação sobre vacinas e problemas relacionados à covid-19, como interrupções de serviços e cadeia de suprimentos e desvio de recursos para a resposta à pandemia.


"Este é um alerta vermelho para a saúde infantil. Estamos testemunhando a maior queda sustentada na imunização infantil em uma geração. As consequências serão medidas em vidas", afirmou Catherine Russell, Diretora Executiva do Unicef.


"Embora uma ressaca pandêmica fosse esperada no ano passado como resultado das interrupções e bloqueios da covid-19, o que estamos vendo agora é um declínio contínuo. A pandemia não é desculpa. Precisamos recuperar a imunização ou inevitavelmente testemunharemos mais surtos, mais crianças doentes e maior pressão sobre os sistemas de saúde já sobrecarregados."


Os países com maior número de crianças sem nenhuma dose da DTP são Índia, Nigéria, Indonésia, Etiópia e Filipinas.




Sarampo e HPV - A cobertura da primeira dose de sarampo caiu para 81% em 2021, também o nível mais baixo desde 2008. Isso significa que 24,7 milhões de crianças perderam a primeira dose de sarampo em 2021, 5,3 milhões a mais do que em 2019. Outros 14,7 milhões não receberam a segunda dose necessária.


A imunização contra o papilomavírus humano (HPV) também foi afetada. Mais de um quarto da cobertura de vacinas contra o HPV alcançada em 2019 foi perdida. Isso tem graves consequências para a saúde de mulheres e meninas, pois a cobertura global da primeira dose da vacina é de apenas 15%. A vacina é uma medida de saúde pública importante para evitar casos de câncer de colo de útero, um dos que mais afetam as mulheres.


Este retrocesso histórico nas taxas de imunização acontece em um cenário de taxas crescentes de desnutrição aguda grave. Uma criança desnutrida já tem imunidade enfraquecida e vacinas perdidas podem significar que doenças comuns da infância rapidamente se tornam letais. A convergência de uma crise de fome com uma crescente lacuna de imunização ameaça criar as condições para uma crise de sobrevivência infantil.


"O planejamento e o combate ao COVID-19 também devem andar de mãos dadas com a vacinação contra doenças mortais como sarampo, pneumonia e diarreia", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. "Não é uma questão de ou/ou, é possível fazer os dois."

 

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