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Os deveres da família, da sociedade e do Estado com as crianças e adolescentes

Por Rafael Dias

Cena cada vez mais comum/Foto: G1
Cena cada vez mais comum/Foto: G1

A pandemia ainda não terminou, mas já podemos contabilizar o impacto negativo na realização escolar. Abandono e evasão escolar tornaram-se natural.


A precarização da vida escolar de crianças e adolescentes da periferia foi banalizada, praticamente institucionalizada. Poucas horas de caminhada pelo centro da cidade, vemos um enorme número de crianças e adolescentes trabalhando em condições precárias, insalubres, sem qualquer direito à uma vida “normal” e digna.


Esta semana, soube de um empreendimento que, para “reduzir custos”, aproveitando-se de cenário de desemprego elevado, tem contratado adolescentes em idade escolar com o “legal” subterfúgio de estágio remunerado. Mas a realidade é que essas crianças e adolescentes estão sendo empregados prematuramente para substituir profissionais adultos.


Neste mesmo empreendimento, um adolescente, sofreu um acidente enquanto realizava uma entrega na rua, utilizando uma bicicleta do empregador e sem qualquer equipamento de proteção. Sem seguro de saúde ou de acidentes, retornou ao trabalho no dia seguinte para não perder a “oportunidade”. Que oportunidade esta criança está tendo? Teria ele sofrido o acidente se estivesse em uma escola integral, ou mesmo brincando em casa?


Durante esta redação, conheci uma jovem que compartilhou um pouco da sua história de vida e de suas dificuldades para concluir o ensino médio. No início da pandemia, ela se viu forçada a renunciar ao sonho de ser professora, tendo que abandonar o Curso Normal a fim de trabalhar e ajudar com o sustento da casa em que vive com a genitora e mais seis irmãos.


Ela relatou que conheceu um jovem casal que lhe incentivaram e apoiaram na inscrição e realização do vestibular para uma universidade pública. Com uma vida marcada por abandono e negligência de seus genitores e familiares, vive lutas internas e externas. Entretanto, com o apoio, percebeu que através da Educação pode encontrar a esperança de dias melhores que até hoje não viveu.


As famílias, o Estado e a sociedade não estão dando conta de proteger as crianças e os adolescentes. A escola, apesar de toda luta de muitos trabalhadores e trabalhadoras da Educação, sozinha, não é suficiente para promover a libertação. Sendo assim, para garantir o acesso e a permanência na escola, é necessário garantir saúde e proteção.


Que nenhuma criança da cidade sofra pela negligência de suas famílias ou do Estado, e que não precisem abandonar a escola para pôr comida na mesa e cuidar de 6 irmãos.


Saúde, dignidade, proteção e educação para nossas crianças!

 

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Rafael Dias é Analista de Projetos e Cientista de Dados. Superior Complementar em Psicologia do Desenvolvimento Humano (PUCRS), graduando em Ciências Econômicas (Uerj) e História (Ucam) e membro do Coletivo ELA – Educação Liberdade para Aprender e colaborador da Coluna "Daki da Educação", publicada às sextas.



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