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PM entra armada em escola após pai reclamar de lição sobre orixá; policial acusa diretora de 'impor ideologia'

Imagens de câmera corporal mostram tenente contestando atividade sobre cultura afro-brasileira na EMEI Antônio Bento, em SP. Diretora explicou que trabalho seguia leis federais; pai da aluna foi indiciado por intolerância religiosa


Tenente Ronald Camacho foi o comandante responsável por atender a ocorrência de intolerância religiosa na escola. — Foto: Montagem/g1/Reprodução
Tenente Ronald Camacho foi o comandante responsável por atender a ocorrência de intolerância religiosa na escola. — Foto: Montagem/g1/Reprodução

Imagens de câmeras corporais obtidas pelo g1 mostram a entrada de 12 policiais militares, um deles armado com metralhadora, na EMEI Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo, em novembro do ano passado. O acionamento ocorreu após o pai de uma aluna de 4 anos, que também é soldado da PM, denunciar a escola por supostamente obrigar a criança a ter “aula de religião africana” por causa de um desenho da orixá Iansã. As informações são do g1.


Durante a conversa, a diretora explicou ao tenente Ronald Camacho que a atividade fazia parte de um projeto pedagógico baseado nas leis federais 10.639 e 11.645, que determinam o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Ela afirmou que o trabalho seguia orientações da Secretaria Municipal de Educação e não se tratava de ensino religioso, mas sim de uma abordagem cultural e literária a partir do livro infantil "Ciranda de Aruanda".


O tenente, no entanto, contestou a explicação. “Como não? Eu vi um desenho que está escrito Iansã”, afirmou. Em outro momento, acusou a diretora de tentar “impor e ditar as suas regras, ditar o seu pensamento, ditar a sua ideologia”. A educadora questionou a presença de um efetivo armado em uma escola infantil para tratar de uma denúncia feita por um pai que sequer estava no local.


A supervisora de ensino, acionada pela diretora por telefone, rebateu o policial: “isso é uma tratativa pedagógica. Isso é uma discussão pedagógica”. Ela afirmou que intolerância religiosa ocorre quando há desrespeito a uma religião, não quando uma família discorda de uma atividade pedagógica.


Em março, a Polícia Civil indiciou o pai da aluna por intolerância religiosa. A atuação dos policiais e as imagens das câmeras corporais estão sob investigação em um Inquérito Policial Militar, segundo a Secretaria da Segurança Pública.


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