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Árvore é cura para uma São Gonçalo adoecida, por Sammis Reachers


Rua Gonçalo de Carvalho, Porto Alegre-RS

O século XXI encontrou a questão ecológica no topo das discussões. Em diversas partes do mundo, as questões ambientais e logo, a compreensão da dimensão ecológica da Terra e do Homem em suas interações com o meio, tem sido pesquisada, refletida e ensinada.


Desde Lovelock e sua Hipótese de Gaia, que percebia a Terra como um mega organismo de interações holísticas e interconexões, tal a ideia tem se disseminado.


Novas descobertas trazem luz sobre fenômenos complexos da natureza, como por exemplo a questão da comunicação entre as plantas.

Utilizando entre outros mecanismos a imensa flora de fungos à sua disposição, as plantas parecem comunicar-se, estabelecendo uma rede de trocas informacionais que alguns especialistas comparam à internet.


Plantas parasitas também parecem exercer controle a nível molecular, com trocas genéticas que visam facilitar ou ‘pacificar’ sua simbiose com as plantas hospedeiras.


Neste novo e surpreendente campo que se descortina, novos métodos e uma nova nomenclatura são necessários; a base epistemológica da Ecologia amplia-se, ao vislumbrar complexidades a nível ecológico jamais sonhadas.


Exemplo de tema na ordem do dia: Nosso conceito de que os vegetais são seres vivos merece ser ‘ampliado’, agora que sabemos que eles são capazes de comunicação e de certo nível de senciência (vida consciente)? E em que categoria de ‘vida’ os colocaríamos? O ser humano precisa mudar sua percepção/relação acerca do reino vegetal? São questões em aberto, uma discussão ainda à espera de seus codificadores, de seus tradutores epistemológicos. Isso tudo mostra como é ainda grande e promissora a tarefa que compete ao ser humano em sua compreensão do reino vegetal.


* * *


Toda essa explanação acima foi para chegarmos em nosso lugar, nossa província insossa, nossa São Gonçalo das Pelejas e do Desmazelo.


O município nunca teve uma política efetiva de arborização urbana, e que dirá para além de sua faixa urbanizada. Há municípios circunvizinhos que mantêm políticas de distribuição de mudas gratuitas para sua população. “Ah, mas são municípios mais ruralizados”, dirá o crítico. Eu chamaria de mais espertos...


Mas vamos ao principal: A imensa, eu diria mesmo diabólica ilha de calor que se forma a partir de Alcântara e avançando para o centro é originária de nosso desenvolvimento desordenado e desarborizado. Nossos espaços mais urbanizados ganham até cinco graus a mais de temperatura se comparados ao entorno! É tempo de proclamarmos que as árvores não são um mimo romântico, um “embelezamento” para a urbe, mas sim COLUNAS de sustentação da VIDA – principalmente nos espaços de concreto e asfalto. Vai demorar, vai doer quando da arborização de nossos espaços tão apertados? Não temos opção: a cidade está doente e a árvore faz parte da cura.


Estamos em ano eleitoral. Questione seus candidatos sobre o que pensam do assunto, e além: Que projetos efetivos possuem já planejados para o problema.


Lancemos uma outra proposta aqui: a criação de um Jardim Botânico – na medida de nossas poucas forças e muitas outras prioridades – em nosso município. Terras livres? Santa Isabel tem suficientes para criarmos até um pequeno país!

E não se esqueça: Árvore é cura.


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Inspire-se: Leia uma antologia de poemas sobre elas, as árvores, que organizei há algum tempo. É gratuita, baixe o seu exemplar virtual aqui: https://drive.google.com/file/d/1D0HJHDd1W083JLObfxo-zHaKqu4vxCDq/view

Alguns livros (gratuitos) que escrevi ou organizei podem ser baixados AQUI.

Um pouco de poesia experimental? Eu experimento AQUI.

Sammis Reachers, nascido por acaso em Niterói mas gonçalense desde sempre, é poeta, escritor e editor, autor de sete livros de poesia e dois de contos, e professor de Geografia no tempo que lhe resta – ou vice-versa.



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