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Somos Comprometidos com as futuras gerações?



Filosofia e Sociologia são matérias por demais importantes. Penso que Literatura também. E Educação Física, e Artes, etc. Mas por que ‘Educação Moral e Cívica’ não é mais? Por que ‘OSPB’, que tratava da Organização Social e Política do Brasil, deixou de ser?

Os mais novos não se lembrarão disso, é claro. Mas Filosofia e Sociologia são recentes nas matrizes curriculares, numa substituição à Moral e Cívica e OSPB, definidas no “governo militar”.

Não vou discutir a pertinência dos fatos, a qualidade do ensino e nem a efetividade do que se aprende. O papo é mais reto: o que nossas crianças de hoje sabem sobre civismo e sobre a política do Brasil? Quantos pais conversam com os filhos sobre o assunto? Quantos professores falam do tema?

Via de regra, o que se aprende de política, na infância e na adolescência, é o resultado da insatisfação dos pais com as decisões de governo, as reclamações dos professores sobre a injustiça salarial e o bombardeamento da mídia que pode construir ou inibir ideias e ideais.

No Estado do Rio de Janeiro, existe uma lei (4784/2006) que obriga o hasteamento de bandeira ao som do Hino Nacional em todas as escolas públicas e particulares, por alunos e professores. Quem cumpre? Quem gosta? Quem entende?

Os alunos não gostam de formar para cantar o Hino Nacional e hastear – ou arriar – a Bandeira. Mas não gostam porque não entendem. Porque não possuem um referencial concreto de respeito, de cidadania e de nativismo. Porém, se é jogo de Copa do Mundo, a bandeira vira manto, o Hino é entusiasticamente entoado, as lágrimas vêm à face e se faz e acontece pelo País. Ninguém desconhece o desempenho do Brasil no futebol, que é publicado na imprensa a partir da FIFA, que é um órgão particular e nem sempre confiável. Mas quem dá atenção para os números da educação, da saúde, da criminalidade, da fome, mesmo que sejam divulgados pela UNESCO, pela UNICEF ou pela FAO? Isso não interessa ao povo. Isso é problema do governo. “Ele está lá para trabalhar para a gente”. Procuração passada com o mínimo de cobrança.

Nosso jovem não sabe qual é a função do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Não sabe o que faz – ou deveria fazer - um Vereador. Não entende a função do Ministério Público e não consegue diferenciar um Deputado Federal de um Senador. Não respeita a autoridade, mas se revolta contra a represália. Vai a um protesto legítimo, mas parte para o confronto. Reclama do governo e o reelege.

Ensinar esses conceitos seria reprimir o jovem? Ou seria abrir o seu pensamento para que distorções na política fossem evitadas? E se é positivo, por que não se ensina mais? Ou alguém crê que a grande mídia pretenda ensinar algo que faça as pessoas pensarem?

Já não sabemos mais se a ficção imita a realidade ou se a realidade imita a ficção. Então está na hora de aprofundarmos a educação desde a tenra idade, formando hábitos e cultivando atitudes saudáveis. Só assim poderemos formar novas lideranças e futuros governantes. Precisamos tomar posse do nosso presente para que possamos construir o nosso futuro. Mas precisamos das experiências do passado para nos ensinarem a construir o nosso presente.

Todos os ramos do conhecimento humano são importantes. Isso inclui a ética, o civismo e a consciência política. Mas esses três raramente passam pelo currículo de nossos filhos.

E se nos dias atuais reclamamos que a aposentadoria está aquém do que se contribui, que os políticos são corruptos, que filhos assassinam os pais, que idosos são abandonados pelos parentes, que o avanço da medicina é inversamente proporcional ao da saúde, que está difícil distinguir mocinho do bandido, é porque não soubemos, na época certa, diferenciar ‘limite’ e ‘repressão’. Limite se ensina e precisa ser um ponto de referência para as nossas vidas, repressão se impõe e cria revolta.

É hora de ensinarmos valores aos nossos filhos. É o único meio de envelhecermos dignamente sem sermos vítimas da repressão de nossos próprios descendentes por conta de nossa omissão.

*Professor especialista em gestão escolar, informática educativa e legislação educacional, comunicador e diretor da TV Ponto de Vista, atual presidente da União de Jornalistas e Comunicadores de São Gonçalo (UNIJOR).

#FREDERICOCARVALHO #ARTIGOS

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