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Cultura de SG nas mãos do acaso político



DE FOLHA NATIVA

São Gonçalo é a décima sexta maior cidade do Brasil e a segunda maior do Estado do Rio de Janeiro, com mais de um milhão de habitantes. Porém, esta importância não é vista quando olhamos para o setor da Cultura.

Em nossa cidade há apenas um teatro público, mas que não pode receber grandes espetáculos de música, teatro ou dança. O Teatro Carequinha, no bairro de Neves possui capacidade de (220) pessoas, mas é um espaço anexo da Escola Ernani Faria e com inúmeras restrições.

Agrupando dados disponíveis no Portal da Transparência de oito municípios do estado, podemos perceber o quanto São Gonçalo fica para trás em relação a outras cidades. O prédio destinado ao Setor Cultura divide espaço com, o Turismo e com a Educação. Dentre as oito cidades pesquisadas o Instituto de Brasileiro Análises Econômicas, através do Projeto Indicadores de Cidadania, o INCID, nos revela que apenas quatro municípios possuem uma secretaria exclusiva para a Cultura, sendo elas: Maricá, Niterói, Nova Friburgo e Teresópolis.

Preocupações Orçamentárias

Em relação ao orçamento a situação de nossa cidade fica com o 5° orçamento destinando para cultura no estado do Rio de Janeiro, ficando atrás de Niterói, Itaboraí, Casimiro de Abreu e Paracambi. Enquanto a média de investimento por cidadão dessas cidades é de R$ 25,00 reais, a cidade de São Gonçalo reserva apenas R$ 2,07 por cidadão. Enquanto isso, gastos com publicidade, burocracia estatal e obras superfaturadas só aumentam. O descaso do poder público com a área de cultura já não é de hoje, vem se arrastando há várias administrações que tratam o setor como mero promotor de eventos.

Olhando os dados das Leis Orçamentárias Anuais de 2010 a 2015, podemos perceber que a área de cultura vem recebendo a mesma porcentagem de investimentos, nunca ultrapassando a casa de 0,40% do orçamento total. Atualmente conta com a reserva de 0,24% do orçamento municipal. Amargando a 13° posição no RJ e ficando atrás de cidades de como Seropédica, Tanguá, Itaguaí , Japeri, Saquarema, Itaboraí e Nilópolis.

Aparelhos em desuso e descaso do poder público

Enquanto isso, os poucos espaços públicos que servem à população vão sendo cerceados com o discurso da segurança pública. A Praça Chico Mendes foi retirada dos skatistas para satisfazer um setor retrógrado da cidade. Outras praças estão sendo gradeadas para impedir seu uso por parte da juventude que tem cada vez menos opção de lazer e cultura, principalmente gratuita. As rodas de hip hop do Jardim Catarina e do Tanque, no Patronato, vêm sendo criminalizadas, sem falar do crime contra o patrimônio público chamado Pátio Alcântara.

Por isso é urgente fazermos o debate sobre um maior investimento na área cultural e um orçamento participativo do tamanho que a cidade merece e que consiga abarcar todas as áreas da cultura, principalmente a cultura urbana, com música, teatro, dança, além de oficinas e cursos para oferecer a população gratuitamente. Porém, somente com a participação popular o poder público responderá aos anseios culturais de nossa população. O primeiro passo é a mudança da lógica da cultura de entretenimento para uma cultura baseada na preservação da memória e patrimônio, passando pelo fomento aos produtores culturais gonçalenses.

Vamos ao debate?

#CULTURA

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