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O Santo, O Bule e o Cristo: a história de seu Manel do Bule



O Santo, um Bule, um Cristo. O personagem amante desta tríade chegou na Terra de Santa Cruz lá pras bandas 1955, no Brasil democrático de Jucelino kubitschek. As manchetes dos jornais se alternavam entre a tumultuada eleição de JK e a censura ao filme “Rio, 40 graus”, pelo chefe da polícia da então capital brasileira, motivada pela relação do seu diretor, Nelson Pereira dos Santos, com o comunismo.

Nesse mesmo ano, Flamengo e América terminaram empatados na decisão do campeonato carioca, prorrogando a decisão para abril do ano seguinte, quando, com quatro gols do lendário Dida, o time rubro-negro conquistou, pela segunda vez em sua história, o tricampeonato local. E este era o afã de muitos corações apaixonado pelo futebol arte.

Em São Gonçalo, Joaquim de Almeida Lavoura era o novo Prefeito, após uma vitoriosa campanha, realizada, sem dinheiro, em cima de um trator, com um alto falante emprestado. Em meio a todos esses eventos, Manoel Loureiro, português, ainda muito longe de ser o lendário “Manel do Bule”, chegava ao Rio de Janeiro e ia trabalhar na Praça Mauá. Mas com um sonho à conquistar.

Veio pra cá em uma época em que São Gonçalo importava sonhadores em busca da terra prometida. Manoel veio de Portugal para montar seu próprio negócio , trazido pelo seu sogro que lhe via como um homem de valor. Após alguns anos de trabalho o sonho foi realizado e Manoel agora era investidor , dono de comércio no Centro de São Gonçalo.

Foi na década de 60 que montou o seu “Café e Bar São Jorge”. Na parede, uma imagem do Cristo talhado em madeira e uma imagem de São Jorge, o santo guerreio. Não era um daqueles lugares como a Panificação Colombo, mas era a novidade em boteco gonçalense. Café, pingado, ovo frito ou cozido, tiro gosto, pão na chapa, torresmo e cachaça. E foi justamente por causa desta aguardente que o Bule de louça em detalhes floridos entrou para a história.

Acontece, que no início da Ditadura Militar, houve a criação da Lei Seca, e a fiscalização era dura. E como todo “cospe grosso” de elite Sr. Manoel teve a brilhante ideia de servir a pinga no Bule, e sem deixar as xícaras de lado, é claro. O apelido “Manel do Bule” não tardou. Em seu comércio, na Rua Carlos Gianelli, mais conhecida como “entrada do Boassu”, quase em frente ao shopping Corcovado era endereço bem falado aos quatro cantos de São Gonçalo. Fosse pela proeza inusitada de servir pinga no bule, ou fosse pela coragem de desobedecer a ordem do regime militar.

Ao longo de sua trajetória construiu família e riqueza nas bandas de além mar. Apaixonou–se por São Gonçalo e foi ícone de uma geração que construiu a cidade a partir do trabalho e da mão obra. Hoje o bar não é no mesmo lugar e a herança foi transformada em uma lanchonete com a administração do Filho Paulo.

Mesmo aposentado, não é difícil ver o Sr. Manoel passando um troco na lanchonete, ou admirando a rua enquanto passa o café. No balcão interno fica o Bule que lhe deu a fama, no alto São Jorge em defesa das gerações vindouras, e a frente, a imagem Cristo talhado em madeira. Manel do Bule é lenda viva pra conta a própria história.

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