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"Itaboraí virou uma Hiroshima depois da bomba", diz secretário



DE A TRIBUNA

Texto: Anderson Carvalho

“Sabe a cidade japonesa de Hiroshima, após a bomba atômica? Assim ficou Itaboraí, com a paralisação das obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio (Comperj). Uma terra arrasada”, observou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Itaboraí, Luiz Fernando Guimarães, sobre a situação da cidade este ano.

Queda de 50% na arrecadação municipal, fuga de investimentos, lojas fechadas, desemprego, aumento do número de camelôs nas ruas, crescimento da violência e dificuldades até na saúde e educação.

O município, que seria o Eldorado fluminense, virou uma Hiroshima. O sonho, pesadelo. Com o anúncio de que o Comperj seria construído na cidade, esta foi vendida como a Dubai brasileira. A população cresceu 21,5% entre 2000 e 2013, passando de 185 mil para 225 mil habitantes, segundo o IBGE.

Hoje, o que era para ser um complexo petroquímico, composto por duas refinarias e dois conjuntos (clusters) petroquímicos, foi reduzido a uma unidade processadora de gás, que nada tem a ver com o projeto original. Com a promessa do crescimento que viria com o investimento, chegaram grandes redes hoteleiras, empreendimentos imobiliários com total infraestrutura de lazer, além de centros comerciais e até um shopping center.

A Prefeitura foi obrigada pelo Ministério Público Estadual a contratar mais de dois mil funcionários por concurso público. Este fora feito na gestão anterior e o prefeito Helil Cardozo foi obrigado a convocar os concursados em 2013.

A primeira previsão de inauguração era em 2011. Porém, houve atrasos na obra, greves e a partir das denúncias de corrupção da Operação Lava-Jato, os trabalhos foram paralisados e começaram demissões em massa. De 30 mil trabalhadores em 2013, restaram apenas 2.270 em novembro, segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Plano de Construção, Montagem e Manutenção Industrial de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom).

“A arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) despencou de vinte e três milhões de reais por mês para dois milhões. Tivemos a expectativa de receber duzentos mil empregos e não tivemos nada. O comércio teve queda de vinte por cento na empregabilidade. Entre quatro e cinco mil unidades comerciais, entre lojas e salas que foram montadas e nunca abertas. Uma loja de eletrodomésticos e um supermercado fecharam. Quatro grandes redes hoteleiras instaladas na cidade só registram trinta por cento de ocupação. As vinte pousadas de trabalhadores do polo fecharam. Registramos dois mil ex-operários trabalhando como camelôs. O cenário é de caos”, informou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Fernando Guimarães.

Segundo Guimarães, a chegada de quatro empresas à cidade este ano devem render no máximo 200 empregos diretos. “Estou de pires na mão. Precisamos de 40 empresas para cobrir o rombo do Comperj”, afirmou.

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