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Por uma cidade amena e bonita, gonçalenses plantam árvores



São Gonçalo é uma cidade quente, e andar pelas ruas no verão é tarefa insuportável, com temperaturas que não raro batem 40 graus com sensação térmica real de até 49 graus. Com essas temperaturas, falar em derretimento não é exagero e muito menos figura de linguagem. Some-se ao calor, o alto nível de poluição por gás carbônico e poeira preta do asfalto, que torna uma simples ida ao Centro ou ao Alcântara uma das experiências mais desagradáveis que o ser humano pode ter antes do inferno.

Uma das soluções para amenizar o calor em áreas urbanas, proposta por diversas organizações governamentais e não governamentais, é a implantação de projetos de arborização das cidades. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o mínimo indicado é de 12m² de área verde por habitante a fim de proporcionar melhor qualidade de vida para a população. E São Gonçalo vive uma realidade assustadora que explica o perrengue dos moradores durante o verão. Segundo o geógrafo e urbanista Mauricio Mendes, a cidade possui apenas 4,2m² de área verde por habitante. E esses números só não são piores devido à existência da APA do Engenho Pequeno e da preservação da área rural no distrito de Monjolos.

Embora a lei orgânica do município em seu artigo 205 contemple o estímulo a programas de arborização e reflorestamento com metas anuais, muito pouco tem sido feito para ampliar a área verde da cidade: "A Secretaria de Meio Ambiente não possui recursos humanos e nem financeiros para elaborar e executar um programa efetivo de arborização. Ano passado houve uma tentiva tímida nesse sentido, usando a APA do Engenho Pequeno como criadouro de mudas, mas não foi adiante. É necessário um amplo esforço de educação ambiental da população além de recursos técnicos que vão desde à escolha da espécide de árvore a ser plantada até a picareta na calçada para fazer um canteiro. E depois disso tudo, ainda tem a conservação das árvores recém plantadas", disse Mendes.

Se o poder público não faz, restou à sociedade se mobilizar. Desde 2002, uma parceria entre a Igreja Matriz e o biólogo Marcos Dias toca o reflorestamento na área de morro atrás da capela com o Projeto Remoma. Ao longo dos anos o projeto vem conseguindo cumprir as suas metas de reinserção de espécies nativas de Mata Atlântica na encosta, além de impedir a ocupação irregular do solo por construções irregulares. Mesmo sendo uma intervenção localizada em área limitada, o Remoma conseguiu acumular conhecimento suficiente para replicar a mesma experiência em outros lugares. O projeto tem forte participação de gonçalenses voluntários, parcerias com diversas instituições da cidade e apoio do INEA que fornece as mudas.


No início deste ano um grupo de gonçalenses criou o movimento "São Gonçalo Mais Verde", que busca envolver a sociedade para um grande projeto de arborização da cidade. "Nossa meta é levar o projeto para toda a cidade através de mutirões de plantio. Entramos em contato com o secretário municipal de Meio Ambiente, o Ricardo Harduim, que manifestou o apoio ao projeto", disse Betinho Carvalho, 32, um dos fundadores do movimento.

O grupo já colocou a mão na massa, ou melhor, a raiz no solo, no primeiro mutirão que resultou no plantio de 18 ipês na Rua Albino Imparato, no Jardim Catarina: "Plantamos 18 Ipês numa área com extrema supressão vegetal, uma avenida de 4 Km onde havia apenas 9 árvores. Conseguimos triplicar esse número num único plantio, hoje são 27 árvores, mas vamos arborizar toda a Albino Imparato para depois seguir para outras áreas da cidade. As mudas são doadas por pessoas do grupo e quem mais quiser doar, ou seja, custo zero para o município. Nossa intenção é incentivar criação de uma mentalidade verde em São Gonçalo, fazendo com que as pessoas plantem árvores também! A escolha do Jardim Catarina como local do primeiro mutirão, se deu por conta de uma reportagem no Globo:", continuou Betinho, que organiza um segundo mutirão no dia 20 de fevereiro.

Betinho, que é policial militar, deu uma entrevista pra gente. Confira.

JORNAL DAKI: Qual é do projeto?

Um projeto que surgiu de um bate papo num grupo de Wathsapp, o "Pró-São Gonçalo", grupo esse onde sempre debatemos assuntos relacionados a cidade, e possíveis soluções, foi aí que no dia 06/01, numa dessas conversas eu sugeri que a gente formasse um grupo para arborizar a cidade. Todos gostaram da ideia e aí começamos a fazer planos, pensar em espécies, lugares, apoios, enfim...

JORNAL DAKI: A iniciativa surgiu de um fórum na internet?

Alguns dos integrantes do grupo fazem parte do Fórum do SSC (skyscrapercity.com) como eu, o Vitor Savino, o Eduardo Lima, o Pedro Henrique Gonçalves, dentre outros. Do Fórum do SSC surgiu o grupo do zap e a partir dessas conversas, o "São Gonçalo mais verde".

JORNAL DAKI: Quais as maiores dificuldades para implantar o projeto?

Por enquanto a maior dificuldade é ter voluntários para plantar as mudas, hoje em dia, as pessoas protestam muito nas redes sociais, muitas idéias boas surgem nas redes sociais e poucas saem de lá. Outra questão, é que às vezes as pessoas não são favoráveis a plantar uma árvore na sua calçada, dizem que vai sujar com as folhas, que vai quebrar a calçada, etc. Mas os benefícios são muito maiores que qualquer transtorno. Fazemos um trabalho de convencimento uma semana antes do plantio. Nossa meta é realizarmos plantios mensais, pois em 30 dias as árvores que foram plantadas estão prontas para se desenvolverem sozinhas e podemos dar atenção às próximas.

Também escolhemos espécies que não danificam a calçada, temos uma preocupação em manter livre o passeio para o pedestre, plantando próximo ao meio fio, e o cuidado com a fiação elétrica, onde houver fiação, plantaremos apenas arbustos.

JORNAL DAKI: Como tá sendo a relação com a Ampla?

É como disse, as árvores são plantadas do lado da via onde não existe fiação, quando houver, plantaremos arbustos, que não chegam à fiação elétrica, por isso, não tivemos contato com a concessionária, apenas com a Secretaria de Meio Ambiente. Na Avenida Albino Imparato por exemplo, plantamos o Ipê Rosa no lado da via onde não existe fiação, do outro lado vamos plantar o jasmim-manga, um arbusto que produz flores e exala um agradável perfume.

JORNAL DAKI: Vocês têm exemplos desse trabalho em outras cidades?

Sim, através da observação de alguns membros do grupo, já tomamos conhecimento de bons exemplo de vizinhos que se reúnem para arborizar suas ruas, em Araruama, Niterói, mas até agora ainda não vimos um grupo com o uma meta tão ambiciosa, o de arborizar uma cidade inteira, do tamanho de São Gonçalo e com tanta carência de árvores. Eu mesmo já plantava árvores há muitos anos, um dos meus grandes orgulhos é um Ipê roxo, que plantei há 16 anos na rua Cardeal Roncale, no Jardim Catarina Novo, é uma árvore linda, quando floresce as pessoas param para fotografar!

JORNAL DAKI: Existe alguma orientação técnica para a escolha das espécies, tipos de solo etc?

Sim. Escolhemos o Ipê, por ser uma árvore de raíz pivotante, ou seja, uma raiz central, ele não possui raízes laterais, por isso não danificam as calçadas, além disso, o Ipê só tem queda de folhas uma vez por ano, antes da floração, são árvores de copa alta, por isso seus galhos não trarão transtornos aos motoristas, pois não adentram a via, não seus frutos são suas sementes, finas como papel, armazenadas numa vagem pequena e muito leve, que se abrem ainda na árvore liberando as sementes, ou seja, não causam nenhum risco de acidentes.

Vale ressaltar que o Ipê só está sendo plantado no lado da via onde não existe fiação elétrica aérea, do outro lado, onde existe fiação, vamos plantar mudas de jasmim-manga, um arbusto que porte médio, que não chega até a fiação elétrica, que produz muitas flores, com agradável perfume.

JORNAL DAKI: Existe preocupação com a biodiversidade arbórea?

Sim. Nas vias transversais plantaremos outras espécies, como a aroeira; e nossa meta é mais tarde distribuir gratuitamente árvores frutíferas para os moradores plantarem nos seus quintais, dessa forma, vamos atrair os pássaros, muito importantes no processo de disseminação das sementes.


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