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A Valorização da Cultura Nordestina e o Cordel Gonçalense (In Memorian)



Matéria publicada na versão impressa do Jornal Daki em abril de 2015.

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Marinho do Nordeste. Um cordelista que encanta crianças, adultos, senhoras e senhores. É gente Daki

Nascido em Alagoas, em União dos Palmares, Idemar Marinho Barros é um artista completo. Após concluir sua escolaridade básica, não demorou muito para demonstrar seu interesse pela arte, já tendo feito cursos de música e literatura, além de ser idealizador do grupo musical “Gente”, de raízes nordestinas.

Marinho começou a se apresentar publicamente quando tinha apenas 8 anos, aos 13, já recitava poesia na casa de amigos, onde passou a divulgar seus primeiros trabalhos tornando-se anos mais tarde, um dos idealizadores da Fundação dos Palmares em Alagoas. A ideia cresceu e o Cordel falado, por pura intuição artística, atravessou o sertão e veio parar aqui, pertinho da gente.

Marinho foi recebido pelo Maestro da Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro, Florentino Dias, em 1983. Nesse mesmo dia foi encaminhado para escola de Música Vila Lobos. Mas foi no programa da rádio Globo, que o radialista Adelzon Alves, reconheceu Marinho como um Cordelista nato do nordeste.

De lá pra cá, ciente que fazia literatura de cordel, não parou mais de produzir. Hoje com mais 20 anos morando na cidade de São Gonçalo, “Marinho do Nordeste” adotou a cidade como gentil gonçalense e investe na produção de projetos à médio e a longo prazo.

Durante sua trajetória, Marinho compôs uma música em parceria com George Israel e Dulce Quintal. Essa parceria em especial, esteve presente na trilha sonora da novela “América”, a musica “gira sol-azul”, foi divulgada em diversos países. Além disso, ele também já conquistou inúmeros prêmios pela academia Brasileira de Cordel em Santa Tereza, ocupando seu lugar na cadeira (17).

Marinho acredita que o Cordel pode ser utilizado como ferramenta educacional e de formação musical. “Uma cidade que foi construída pelas raízes nordestina não conhece a arte do Cordel. Isso é um pecado. Os nordestinos tiveram grande participação na construção desse país chamado São Gonçalo e hoje posso proporcionar minha contribuição, mas não encontramos espaço e nem financiamento.”

Recentemente em parceria com o Projeto Alternativo elaborou o Programa “Tenda Cordelista”, que tem como principal objetivo percorrer os cinco distritos da cidade, divulgando a arte cordelista e sua importância na cultura gonçalense. No entanto ainda trabalha na busca por recursos. Além disso, está desenvolvendo um cordel para contar a história da cidade de São Gonçalo. “É preciso oportunizar a cultura de Cordel aos alunos, pois é possível trabalhar música, métrica, rima, gramática e vocabulário.” Ratifica o cordelista. Marinho é patrimônio cultural e imaterial desta cidade.

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Marinho do Nordeste faleceu no dia 05 de março. O sepultamento ocorreu no dia 07 no cemitério São Miguel.

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