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Estresse e Síndrome do Pânico afastam 30% dos rodoviários do trabalho



DE A TRIBUNA

Texto: Aline Balbino

Engarrafamentos diários, acidentes, passageiros muitas vezes mal educados e nervosos são alguns dos elementos que causam estresse nos aproximadamente 20 mil motoristas de ônibus e São Gonçalo e Niterói. O Sindicato dos Rodoviários calcula que, atualmente, existam 5.700 rodoviários afastados do trabalho por problemas psicológicos, psiquiátricos ou neurológicos, em Niterói e São Gonçalo, o que dá 30% do número de profissionais atuando nos dois municípios. As clínicas do Sindicato atenderam, entre janeiro e março deste ano, 14.970 rodoviários, em 27 especialidades.

Deste montante, 829 foram no setor de neurologia, 1.578 no de psicologia e 509 na psiquiatria. São 2.916 atendimentos nesses três setores apenas nos três primeiros meses do ano, cerca do 20% do total de atendimentos. Só perdem para a clínica médica, que recebeu 4.762 pacientes no mesmo período.

Síndrome do pânico e estresse constante são as principais causas de procura em tratamentos neurológicos. No ano passado, foram 59.956 atendimentos no total, sendo 12.728 em neurologia, psiquiatria e psicologia, o que representa 21,2% do montante. O Sintronac afirmou que tem feito intervenções junto às empresas e ao poder público para tentar reduzir, por exemplo, o índice de violência, que tem aumentado assustadoramente desde 2015. A ideia é que haja uma discussão ampla sobre o problema para que possamos chegar a uma solução, que não coloque a vida dos rodoviários e dos passageiros em risco.

“Eu sou cobrador desde 2008 e já passei por muitos assaltos. Já pensei em procurar um psicólogo porque isso tem me feito mal. Como trabalho no sereno (termo usado por rodoviários que trabalham de madrugada), a gente vê muita coisa na pista. É um estresse absurdo e não para por aí. A gente ainda tem que lidar com passageiro grosso e mal educado”, contou um cobrador de Niterói que preferiu não se identificar. Segundo o presidente do sindicato, Rubens dos Santos Oliveira, o nível alto de estresse é perigoso e requer atenção, já que rodoviários guiam veículos com dezenas de pessoas.

“Atualmente o motorista de ônibus está acumulando a função de trocador, tem que cuidar dos idosos que viajam nos ônibus, das crianças, das grávidas e dos deficientes, principalmente os de cadeiras de rodas. Junte a isso um trânsito caótico e perigoso, o calor e a violência, que são os assaltos, os ônibus incendiados, os homicídios, quando os bandidos entram em um coletivo para matar um rival, e quando traficantes invadem o ônibus para fugir da polícia ou para obrigar o motorista a transportar um cúmplice ferido ou mesmo morto. Não há ser humano que suporte isso”, afirma Rubens.

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