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A saga dos infortunados: agora desabrigados são expulsos de Ciep


E o sofrimento só aumenta. Pessoas que perderam suas casas nas chuvas de março e que ocuparam condomínio do Minha Casa Minha Vida no Jóquei - que teve reintegração de posse ordenada pela Justiça -, foram alojadas provisoriamente em um Ciep abandonado no bairro Portão do Rosa, como relatado em matéria deste jornal.

Agora, sem uma explicação plausível, oficiais de Justiça cumpriram mandado de retirada de cerca de 90 pessoas, entre crianças e idosos, do Ciep.

Tempos estranhos, como pode ser comprovado na matéria de A Tribuna abaixo.

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DE A TRIBUNA

Texto: Pedro Conforte

EX-OCUPANTES DE PRÉDIO DO MCMV NO JÓQUEI VOLTAM COM PERTENCES

“Nós só queremos um lugar para morar, é pedir muito?”, este é o questionamento de Roselia Carlos Rosa Torres, de 49 anos, mas que é a mesma pergunta que outras quase 280 pessoas estão fazendo. Ontem as cerca de 90 famílias que estavam morando há 30 dias no Ciep 045 – Porto do Rosa, desde que foram retiradas dos apartamentos do Minha Casa, Minha Vida no Jóquei voltaram mais uma vez para a rua. Sem rumo e nem onde ficar, cerca de 100 pessoas, em sua grande maioria crianças e idosos, estão alojadas em uma igreja próxima ao condomínio. Como o espaço é pequeno, mais da metade das pessoas está na calçada.

A quinta-feira foi difícil para as quase 90 famílias vítimas das fortes chuvas que atingiram São Gonçalo este ano. Na manhã de ontem, oficiais de Justiça foram para o Ciep retirar todos que estavam morando provisoriamente no local. A unidade escolar tinha sido a saída que os governos Estadual e Municipal tinham dado para as famílias desde a reintegração de posse dos condomínios do Jóquei. Além dos representantes da Justiça, a ação teve o apoio de dezenas de policiais militares dos batalhões de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e inclusive de Cabo Frio. Parte dos efetivo foi deslocado para porta da Prefeitura para evitar um possível protesto dos desabrigados.

Segundo Sérgio Iglesias, um dos porta-vozes dos desalojados, a Prefeitura queria que do Ciep as pessoas fossem para um abrigo em Vista Alegre. “O local comporta 30 famílias e já estão alojadas 49, não tem condições de receber mais. Esta igreja cedeu o espaço para guardamos nossos pertences e ficarmos, mas não tem como todos ficarem aqui dentro. Estamos sem saber para onde ir e dormir”, explicou.

Pouco mais de 100 pessoas tentam se espremer dentro da igreja. Aqueles que não conseguiram, colocaram os colchões na calçada e ali ficaram. Famílias estavam em busca de um lugar para passar a noite para que as baixas temperaturas não se tornem mais um problema. Idosos e crianças são a grande maioria do grupo que está na rua, muitos deles doentes com bronquite, pneumonia e até chikungunya, doenças contraídas enquanto estavam no Ciep do Porto do Rosa.

Roselia parecia não acreditar nesta situação, mesmo rindo e brincando com as crianças que passavam, quando lembrava de sua casa, no Novo México, seu semblante mudava, parecia que quando falava ela voltava para um pesadelo. “Eu recebia o aluguel social, mas de uma hora para outra o Governo parou de depositar alegando que eu já tinha um apartamento da Minha Casa, Minha Vida, só que eu nunca vi a chave. Por isso voltei para a minha antiga casa que já havia sido condenada pela Defesa Civil. Este ano, a chuva deixou tudo em ruínas e estou sem um lugar pra ir. Só quero a oportunidade de retomar a minha vida”, desabafou.

A grande maioria das famílias está inscrita no programa social Minha Casa, Minha Vida, mas ainda esperam pelo benefício. A Defensoria Pública enviou um ofício à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de São Gonçalo, cobrando explicações sobre o cancelamento do benefício, com prazo de 15 dias.

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