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Mulim muito perto de apertar a tecla foda-se



O prefeito Neilton Mulim (PR) vê o cerco se fechar contra ele. Com baixíssimos níveis de aprovação e com uma gestão sem uma marca para chamar de sua, está isolado politicamente às vésperas de uma eleição em que seria candidato natural a mais um mandato.

O ex-vereador, ex-secretário municipal e ex-deputado federal não pode ser chamado nem de ingênuo e muito menos inexperiente. Mas a sua chegada ao poder em 2013 não disse a que veio. Preferiu concentrar no então seu principal colaborador, Sandro Almeida, todos os poderes de articulação e de decisão do governo. O que desagradou grande parte dos vereadores e correligionários que o ajudaram no segundo turno contra Adolfo Konder.

Em 2013 Mulim foi tragado para dentro do furacão dos protestos de junho contra o aumento de tarifa dos ônibus com apenas 6 meses de gestão. Ele viu diante de seus olhos a maior manifestação popular da história da cidade, justamente contra ele, que meses antes prometera tarifa de ônibus irrealizável a R$ 1,50. Azar ou capricho da história? Para muitos, seu governo começou a acabar ali. Foi o equivalente a uma noiva descobrir em plena lua de mel que se casara com um eunuco.

Cambaleante e sonolento, aceitou passivamente indicações de secretários pela família Garotinho que dariam a ele enorme dor de cabeça. Exemplo foi Claudio Mendonça, o arrogante secretário de Educação que arrumou uma quizila daquelas com a Câmara que quase derruba o governo com os escândalos da merenda e dos livros a 12 milhões de reais. Isso no início de 2015.

Em julho do mesmo ano, o caldeirão quase entorna de vez. A maioria dos vereadores, incomodados com os superpoderes de Sandro Almeida, ameaça se rebelar e assinar várias CPIs propostas pela oposição.

Sem escolha, o prefeito isola Almeida, que por sua vez bate as asas para outra freguesia, mas precisamente o PSDB do presidente-raposa Carlos Ney (secretário de Desenvolvimento Econômico), que articula a candidatura de Dilson Drummond à prefeitura, também secretário do governo Mulim. Das próprias costelas do prefeito saíam seus adversários.

Foi a primeira grande perda política do governo, que ainda mantinha o PMDB de Graça Mattos e o seu batalhão faminto de comissionados na sua base. Agora, nem isso. O PMDB fechou questão com o PPS de José Luiz Nanci e deve compor a chapa de vice com o vereador Fábio Farah, que até há pouquíssimo tempo também compunha o governo chefiando o PAM de Neves.

Se não bastasse o infortúnio político, Mulim tem contra si um horizonte econômico tenebroso. Desde 2014 o orçamento estoura, e o prefeito se valeu de algumas gambiarras fiscais para fechar as contas. Desde o final de 2015 o fantasma dos atrasos nos pagamentos ronda o funcionalismo, que em junho teve que esperar alguns dias para receber o salário integral. O futuro a Deus, ou melhor, à saúde dos cofres da prefeitura pertence.

Empresas terceirizadas estão há meses sem receber, e dia sim, dia também, os garis batem à porta exigindo solução da prefeitura. A Marquise, recolhedora de lixo, diminuiu em 40% a frota de caminhões e de trabalhadores. Outros fornecedores das secretarias de saúde e educação passam por problemas semelhantes.

Para completar o desalento, a Guarda Municipal entrou em greve com sangue nos olhos contra Mulim, que assinou um documento prometendo atender as suas reivindicações e depois mandou a irmã chefe de gabinete, Elaine, desdizer o que disse. Dessa vez não vai ter truque para silenciar o apitaço ensurdecedor da Guarda nas dependências da prefeitura.

Isolamento político, problemas financeiros gravíssimos e manifestações diárias de servidores em greve em frente à prefeitura devem levar Mulim a apertar a tecla foda-se. É o que indica o relato do jornalista Marco Spezialli:

TITANIC GONÇALENSE

O prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim, deu um bolo nos presidentes dos partidos que compõe a coligação para disputa de sua reeleição. Ele faltou à reunião marcada para ontem e não deu nenhuma satisfação. Segundo informação, essa seria a última antes de colocar o “bloco na rua”. Até agora ninguém se manifestou a respeito, nem mesmo para explicar o porquê de seus secretários, os maiores interessados no retorno do prefeito, terem faltado também.

“Largamos nossos compromissos par atender ao chamamento do prefeito e ele, sem aviso prévio, nos deixou falando sozinho”, disse um presidente de um partido, que não irei identificar por motivos óbvios.

A grita foi geral e muitos ameaçam a abandonar o barco. Contam, inclusive, que esse é um prenúncio de que ele, Neilton, não é mais candidato e irá apoiar alguém. O provável é que se alie ao PSDB de Dilson Drumond. Sendo assim , o barco ficará muito pesado e corre o risco de afundar na praia.


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