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Mulim: o ocaso de um prefeito ausente



Mulim no debate do G1: estaria ele prevendo a derrota?

Diz o ditado popular que não se bate em cachorro morto. Neilton Mulim da Costa, 54 anos, deixará a cadeira mais importante do prédio da Felciano Sodré, 100, à meia-noite do dia 31 de dezembro. Assumirá em seu lugar um novo prefeito, que pegará uma cidade com imensos e persistentes desafios nas áreas de saúde, educação e segurança pública, além de ter que enfrentar um problema crônico da baixa arrecadação que se acentuou com a crise econômica brasileira.

Mulim deixa a prefeitura de forma melancólica, depois de amargar uma derrota doída ainda no primeiro turno das eleições quando chegou em terceiro lugar atrás de José Luiz Nanci e Dejorge Patrício, que disputam o 2º turno. A campanha pela reeleição do prefeito lembrou a sua gestão, cheia de equívocos primários e vacilações, que lhe renderam logo de cara uma punição do TRE por ter mentido em seu programa de rádio e televisão sobre a famosa promessa nunca cumprida dos ônibus a R$ 1,50.

O fator sorte, que o levaria à vitória em 2012, logo o abandonaria nos primeiros seis meses de gestão. Em junho de 2013, influenciados pelas grandes manifestações em todo o Brasil, 30 mil pessoas marcham para frente da prefeitura cobrando a sua promessa ‘incumprível’ de tarifa reduzida nos transportes em São Gonçalo.

Acabava, assim, de forma traumática, a sua lua de mel com a população. A partir de então, a prefeitura cria uma série de factóides de implementação da tarifa, o maior deles incluindo as vans, que sofreram duas derrotas definitivas da Justiça e da Câmara, que vetou o projeto. Os próprios vereadores da base do governo admitiram que o projeto, como foi enviado, tinha apenas um destino: a lata do lixo.

O prefeito era acusado por vereadores e até secretários, de ser ausente, não dialogava, não recebia ninguém. O canal de diálogo com a prefeitura era o seu super-secretário, Sandro Almeida, que se acreditava ser o prefeito de fato. Tudo isso gerou uma sensação difusa na população e no meio político de negligência e omissão de Mulim com a cidade.

Paulatinamente o prefeito foi perdendo apoio político que se materializariam em duas candidaturas saídas de suas costelas: Dilson Drumond e o próprio Dejorge. Quando, enfim, ele tenta tomar as rédeas do governo em julho de 2015 já era tarde. Algumas ações na área da saúde deram visibilidade ao governo, mas não foram suficientes para desfazar o estrago.

Escândalos com contratos do lixo, da merenda, do Teatro, junto com protestos recorrentes do funcionalismo público, duas greves da Guarda Municipal e oposição ferrenha na Câmara de Vereadores minaram o seu governo que chegou a ter um pico de 80% de rejeição. Mulim sai de cena sem deixar nenhum legado importante para a cidade. O que talvez terá que carregar para o resto de sua vida seja a alcunha de pinóquio.

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