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Jovem vende paçoca para publicar livro de poesias


História sugerida pela leitora Natália Couto publicada no jornal O Tempo, de Minas Gerais. É do ano passado, mas vale conhecer a correria do artista brasileiro.

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JOVEM DE BH VENDE PAÇOCAS PARA PUBLICAR LIVRO DE POESIAS

Por Fernanda Viegas

DE O TEMPO - 12/06/2015


Um sonho realizado com o próprio esforço, muita dedicação e aprendizado. Essa é a história de Felipe Arco, 24, natural de Belo Horizonte, que conseguiu se tornar escritor vendendo paçocas no centro da cidade. O jovem, formado em marketing, decidiu viver de sua arte e investiu em seu próprio talento. Suas produções começaram a ser conhecidas por usuários do metrô, depois por internautas e agora por leitores que ainda preferem as páginas de um bom livro.

"Eu sempre fui apaixonado por escrever e comecei a fazer faculdade de jornalismo, porque achava que o meu foco era escrever, até me encontrar na poesia. Um tempo atrás, eu saí de casa e só tinha o dinheiro do estágio", relata o rapaz que, na época, ao perceber que a remuneração adquirida com o trabalho de meio expediente em uma assessoria não era o suficiente para se manter.

"Daí veio a ideia de vender poesias no metrô, a partir de uma sugestão de um amigo do meu primo, mas de cara não sabíamos como. Pensamos então em fazer tudo a mão e montar um varal de poesias na praça Sete e vender, mas não foi para frente. Até que aprendi a fazer uma cartilha com folha A4 e fui vender as poesias no metrô com o meu primo", lembrou.

Assista ao relato gravado por Arco:


Os dois ficaram por um ano circulando nos trens e se mantinham da venda das poesias - cada livrinho custava R$ 0,50. Contudo, a pressão dos seguranças das estações, para que eles não realizassem o comércio ambulante no local, fez com que os rapazes desanimassem da empreitada.

"Eu comecei a alcançar um número de pessoas, que depois de comprar as poesias me procuravam na internet. Tinha um blog e também a página no Facebook". Depois de deixar o metrô, Arco continuou escrevendo e o livro começou a nascer. Mas ele precisava de dinheiro e viu uma oportunidade, a partir do trabalho da mãe com chocolates. "Tive a ideia de vender cinco paçocas por R$ 1, ninguém vendia. Eu sempre comprei barras de chocolate para minha mãe e por sorte a Paçoquita começou a diminuir o tamanho e tinha uma caixa com cem. Estava na promoção e eu fiz o cálculo e vi que era viável vender paçoca", contou.

Arco passava muito pela passarela da estação Lagoinha, no centro da cidade, e depois de conversar com camelôs no local, resolveu montar uma banca para ele neste ponto. "Eu precisava custear o livro e coloquei como a meta de vender 200 mil paçocas. Quem comprava ganhava uma poesia".

História vira título de livro, confira:


O jovem escritor conseguiu em dois anos levantar R$ 40 mil e acabou vendendo quase 300 mil doces. Os primeiros mil exemplares do livro "200 mil paçocas e infinitas poesias" estarão disponíveis ao público no sábado, dia 20 de junho, quando será (foi) lançado.

Os textos de Arco misturam um lado romântico e outro marginal que ele mesmo possui, com influência do Rap e da periferia belo-horizontina. São poemas com uma linguagem simples, objetiva e de fácil compreensão para o público em geral.

Também grafiteiro, Arco deixa sua experiência de vida transparecer, buscando a não hipocrisia em seus escritos, sempre valorizando o amor. O preconceito vivido dentro de casa, com sua família e amigos foi superado, assim como a criminalização para com quem trabalha nas ruas de uma cidade. Viver da arte é uma opção, bem como escrever é seu modo de viver a vida.

Assista ao documentário:


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#CULTURA #ARTEBRASILEIRA

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