Operação da PF explica por que a Linha 3 jamais saiu do papel



Agentes da Polícia Federal deflagaram no domingo à noite a operação 'Ponto Final', mais um desdobramento da Lava Jato seção Rio, que prendeu um dos maiores magnatas do transporte público brasileiro, Jacob Barata Filho.

Também foram presos ao longo da segunda-feira (03) o presidente da Federação das Empresas de Transportes do Estado (Fetranspor), Lélis Teixeira, e o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), Rogério Onofre.

O esquema de pagamentos de propinas teria arrecadado só ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) mais de R$ 122,8 milhões entre os anos de 2010 e 2016. Segundo a PF, o total de propinas ultrapassa os R$ 500 milhões, distribuídos a políticos e agentes públicos.

A corrupção entre políticos e empresários de ônibus corre solta há pelo menos 40 anos em todas as esferas de governo, municipal e estadual.

Nunca foi segredo para ninguém e a promiscuidade entre e público e privado nunca foi incomodada para valer, com a nobre exceção do ato corajoso de Leonel Brizola, que encampou em 1985 mais de 1.800 ônibus que passaram a fazer parte da CTC, responsável pela operação das linhas. Um ano depois, Moreira Franco devolveria os ônibus aos empresários.

O desbaratamento (não é trocadilho, mas pode ser) do esquema que agora se torna público, nos explica muitas coisas. Explica porque o estado do Rio e a região metropolitana jamais tiveram interesse em criar um sistema de transporte e de mobilidade racional.

Também explica o favorecimento estúpido do transporte rodoviário em detrimento do metrô e das alternativas hidroviárias na Baía de Guanabara. A cara blasé de Sérgio Cabral ao se referir à Linha 3 do metrô e a defesa desavergonhada de Luiz Fernando Pezão pela implantação de um BRT no lugar do VLT em São Gonçalo, Niterói e Itaboraí ficam agora plenamente justificados.

E o que dizer dos famigerados incentivos fiscais às empresas de ônibus, sem nenhuma contrapartida? Pelo contrário. Os ônibus continuam velhos e calorentos na maioria dos casos, cobrando uma tarifa impraticável para os trabalhadores, que precisam desembolsar em média mais de 15% do salário mínimo para ir e vir do local de trabalho.

Pela primeira vez a blindagem histórica dos empresários de ônibus por políticos e membros do judiciário se enfraquece. Agora é dar o próximo e derradeiro passo, que é abrir as planilhas de custos das empresas e mudar o paradigma de obtenção de lucro (e propina) a qualquer custo pelo necessário e urgente interesse público nos transportes.

O transporte deve ser encarado como serviço público básico, por isso urge ser racional, barato e eficiente.

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