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Educação: Zé Augusto é o cara certo no lugar certo



Um dos gonçalenses contemporâneos mais ilustres, José Augusto de Abreu Nunes, 65, teve o seu nome de volta à cena política da cidade ao ser escolhido pelo prefeito José Luiz Nanci para assumir a Secretaria de Educação depois de uma breve e conturbada gestão do ex-secretário Diego São Paio.

Se depender de suas experiências como parlamentar e secretário de Cultura, a sociedade pode ter a certeza de muito diálogo e ações programáticas e necessárias na Secretaria de Educação.

Breve perfil

Zé Augusto, como é conhecido, tem uma longa trajetória na vida pública e um currículo robusto na área da Educação. Formado em Biologia, mestre em Ciências do Meio Ambiente e Saúde, mestre em análise de educação e Phd em gestão, lecionou e dirigiu várias escolas, além de fundar e presidir o sindicato dos professores (SEPE) numa época dura da história do país no final da década de 1970..

Também participou ativamente da criação dos CIEP’s, política pública de educação que seria covardemente destruída pela incompreensão e mesquinharia do sr. Moreira Franco, governador do estado entre 1987 e 1990 de triste memória.

A política

Essas experiências o empurraram para a política, sendo eleito vereador sucessivamente desde 1988. Como legislador, deixa como legado a Lei Orgânica Municipal promulgada em 1990, pioneira em temas como meio ambiente e vanguardista no que se refere à criação dos conselhos de controle social ao poder público, que só viriam a se consolidar no início do século 21 no restante do país.

Democrata convicto e então homem forte do PDT em São Gonçalo, sofre com o furacão que esvaziou o partido na célebre querela envolvendo Brizola e Garotinho em 1999. À contragosto, deixa o partido e migra para o PSB e depois PMDB. Não se sente à vontade e decide voltar às suas origens - “faltava identidade”, assume - mas havia ressentimento demais no PDT para aceitá-lo de volta. Quem lhe dá o abrigo político para tocar a vida é o PPS, filiação que o tira da solidão ideológica na cidade e permite um novo mandato em 2004.

O novo panorama eleitoral - a vitória de Aparecida Panisset em 2004 no primeiro turno - possibilitou novas costuras e alianças políticas para dar sustentação ao surpreendente mandato.

Os acordos da prefeita com o grupo “carioca” de César Maia, porém, a obrigam a ceder, num pacote fechado e enfeitado, os principais cargos da administração, gerando uma celeuma entre a classe política local. E o nome do Professor José Augusto, antes certo para a pasta da Educação, é engolido pela sanha carioca, mas amadurece em outra área não menos nobre: a Cultura.

O nome certo

O destino muitas vezes é cruel. Mas, desta vez, se contentou com a ironia mesmo. Não poderia haver melhor nome para a pasta naquele momento. A alma democrata e a sensibilidade do educador, deram ao Professor José Augusto as credenciais exigidas para o início de uma nova era no tratamento do assunto, negligenciado e vilipendiado em gestões anteriores e que viria a ter avanços significativos após sua passagem pela pasta, e a criação do Plano Municipal de Cultura está entre os mais importantes destes avanços.

Desafio aceito, o então secretário José Augusto teve o cuidado de se cercar, também, dos melhores nomes da cidade, criando uma força-tarefa a fim de reaproximar os artistas e os produtores culturais à sua gestão, entre eles o saudoso músico Aluçã, que viria a falecer em 2008.

Estrada tortuosa

Mas o caminho era longo e espinhoso. A secretaria possuía orçamento insuficiente para a sua importância. Sabendo disso, o secretário trabalhou para driblar as dificuldades e propor ajustes no orçamento do município, com outro aliado de peso à época: o músico e compositor gonçalense Altay Veloso. Deste modo, pressionou a prefeita para que regulamentasse a Lei 032/97, que prevê à Cultura 1% do orçamento municipal.

- Para muitos gestores, a cultura se faz por si só. Não deixa de ser verdade. Mas o poder público tem a obrigação de prover os instrumentos para a livre manifestação cultural de seu povo. E tem outra coisa: a cultura não é só porta de saída de recursos. É a área da economia que mais gera riqueza e empregos no mundo. Nós sabemos disso, por isso trabalhamos com o paradigma da geração de trabalho e renda também - disse Zé Augusto em matéria do jornal Apologia em setembro de 2007.


As voltas que o mundo dá

O destino - ou a política - pregaria uma outra peça no Professor Zé Augusto assim como em 2005 no governo Aparecida. Certo como secretário de Educação de um provável governo Nanci, entendeu o momento eleitoral do segundo turno e não se contrapôs ao acordo político que levaria Diego São Paio a ocupar a pasta. Tocou a campanha, venceu e preferiu não interferir na montagem do novo governo, abraçando a discrição.

Já em março, com três meses de governo, o seu nome surge para substituir Diego São Paio, que já aparentava não ter habilidade de diálogo com vereadores e aliados. Zé Augusto preferiu novamente o silêncio e a discrição, próprios de um político calejado.

No início de julho os problemas administrativos na secretaria se avolumavam e vieram a se juntar à insatisfação de vereadores e aliados do governo. São Paio não aguentou a pressão e foi exonerado no dia 11.

Depois de 12 anos, finalmente José Augusto Abreu toma posse na Secretaria de Educação, pelas mãos do destino ou da política, como queira.

- Minha gestão será baseada em três pilares. O primeiro é a garantia ao acesso e permanência da educação. Segundo é ouvir para agir, que é o diálogo com professores, alunos, pais, sindicato e supervisão. E o terceiro é o planejamento democrático, que é a garantia de cidadania através de um ensino de qualidade - disse o novo secretário em entrevista ao jornal O São Gonçalo no último dia 17.

E finaliza, em declaração ao jornal Apologia também de 2007, reafirmando seus valores democráticos:

- Para muitos a democracia é um problema porque gera cobranças. Nós avançamos na prática de ouvir.

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