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Democracia enterrada – o distritão irá acabar com a representação na Câmara



Está em discussão no Congresso Nacional a reforma política, que na prática não passa de uma reforma eleitoral. Um dos pontos mais polêmicos é mudar o atual modelo proporcional de escolha de deputados e vereadores para o modelo de distritão, onde somente os mais votados entram. Um modelo sem nenhum precedente nas grandes democracias, só utilizado no Afeganistão e outros três países menores.

No modelo atual, os partidos preenchem sua nominata com diversos nomes para compor a legenda, dando chances a figuras pouco conhecidas. Com a exceção daqueles dois ou três com maior estrutura, todos os outros tem chances iguais de fazerem um bom número de votos e até surpreenderem. Com o distritão, apenas aqueles dois ou três serão candidatos, isso porque o partido não irá investir em campanhas que tem poucas chances de vitória.

Nesse cenário, candidaturas de lideranças comunitárias, representantes de classe ou até mesmo de jovens e mulheres serão extremamente prejudicadas, já que não teriam espaço frente aos atuais detentores de mandato e entranhados na máquina pública.

Caso o distritão estivesse em vigor em 2016, Lucas Muniz, o vereador mais jovem da história da cidade não teria sido eleito, em contrapartida, figuras como Jorge Mariola, Fabio Farah e Cici Maldonado, políticos tradicionais da cidade estariam com mandato. Prof. Paulo, único representante da categoria dos professores também estaria de fora da Câmara.

Em 2016, tivemos 729 candidatos a vereador em São Gonçalo. Com a aprovação do modelo para 2020 este número poderá ser reduzido para poucos mais de 50, provavelmente aqueles que obtiveram mais mil de votos, entre eles apenas quatro mulheres e 41 ex-secretários, ex-vereadores e reeleitos.

Apenas com o exemplo de São Gonçalo, já deu pra perceber que, na prática, esta reforma política apresentada não passa de mera autopreservação da casta política, com medo de ser enxotada de suas cadeiras após a avalanche de escândalos apresentados diariamente.


Matheus Guimarães é gonçalense, formado em Produção Cultural. Escreve sobre política, cultura, cidades e o que mais aparecer.

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