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A Hipocrisia em torno do sacrifício de animais no Candomblé



O STF quer por em pauta a legalidade dos rituais sagrados com animais no Candomblé. A sacralização, ou o popularmente chamado abate religioso.


Diversas culturas são baseadas na necessidade do sacrifício animal, inclusive o Cristianismo que tem em Jesus Cristo o sacrifício perfeito: "Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo [com seu sangue]. Na liturgia Católica Romana e Ortodoxa este ritual se repete no momento da eucaristia em que pão e vinho tornam-se corpo e sangue de Cristo. Não apenas como representação, de acordo com o rito Protestante, mas como transubstanciação, ou seja, a transformação de uma substância em outra.

Judeus praticam imolação até os dias atuais. Utilizam-se de bovinos,frangos e outras aves, e também cabritos. Sua comida, conhecida como Comida Kosher tem seus preceitos extraídos da Lei de Moisés, disponível nos cinco primeiros livros da Bíblia, a Torah.

Muçulmanos também utilizam-se deste princípio, o qual chamam de Halal, uma técnica de abate, descrita no Al Corão, seu livro sagrado. A JBS e a BRF são campeãs em exportação para o mundo árabe por dispor de funcionários especializados nesta técnica.

No Candomblé, utilizamos os animais em rituais sagrados por compartilharmos de uma visão milenar acerca do princípio da vida e sua essência na devoção aos nossos Orixás. Nada se extravia, desde as partes utilizadas como oferenda, até as partes que consumidos após o preparo de deliciosos pratos. Uma prática anterior ao capitalismo e incomparavelmente mais digna que as práticas realizadas pela indústria agropecuária.

Latifúndios de soja, assim como a grande concentração de criações animais em condições precárias seguem matando de forma muito mais profunda, pois contribuem com a fome e desigualdade mundial, mas nada disso importa quando a churrasqueira está acesa e a cerveja gelada. Importa mesmo é criminalizar nossa prática sagrada herdada da Mãe África e assegurada pela Constituição no que se refere a liberdade de culto.

Hipocrisia é pouco.


Pedro Rebelo é Professor de História, militante e iniciado no Candomblé

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