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Vila Lage: o bairro gonçalense e a vida de um empreendedor brasileiro, por Erick Bernardes


Constituiria um ótimo romance a história do empresário que deu nome ao bairro gonçalense e o seu casamento com certa cantora lírica italiana. Indiscutivelmente, um caso típico daquelas narrativas de paixões e negócios envolvendo milhões em dinheiro e amores expressos. No entanto, não me cabe aqui fazer uso dos efeitos estéticos com fins de atrair o leitor, detenho-me apenas nos aspectos históricos da vida de Henrique Lage e Gabriela Besanzoni, ambos frequentadores assíduos dos movimentos culturais no Rio de Janeiro.

O playboy Henrique Lage recebeu do pai multimilionário uma fatia substancial da agigantada herança familiar. O herdeiro dos Lages tornou-se um dos empresários mais respeitados no ramo de navegação e das moderníssimas indústrias de tecidos na época. Dizem até que inaugurou as atividades aeroviárias no Brasil; pioneiro na compra de aviões comerciais e de passeio. Corajoso ele se mostrou, porque aplicar dinheiro aqui seria fatalmente um risco. Mas fez, investiu — e obteve o seu quinhão de recompensa. Por causa disso, o nome desse investidor visionário serviu de registro na fundação do bairro de São Gonçalo chamado Vila Lage.

Há quem afirme que suas posses iam do norte ao sul do país e levavam desenvolvimento econômico, já que ele objetivava crescer nas finanças e contribuir com as cidades onde fundava as suas empresas. Todos os brasileiros que o conheciam o admiravam e reconheciam o sucesso, e já afigurando importante destaque na sociedade mundial, Henrique enamorou-se pela linda voz de Gabriela Besanzoni. Ah! Não haveria como resistir aos encantos da doce cantora italiana. Ela atingia a nota mais linda na escala musical. Sim, verdade, Besanzoni era soprano, mas, por vezes, conseguia fazer-se de contralto. Belíssima, essa clássica intérprete aparecia atuando. Um mimo só de mulher. E Henrique Lage, esperto em demasia, conquistou o coração da linda dama europeia. Pois é, foi no Teatro Termas de Caracala, em Roma, que a jovem Gabriela Besanzoni se apresentou e aceitou os galanteios do empresário carioca. Quem diria que a voz da graciosa Besanzoni atingiria seus agudos melódicos e, cinquenta anos após, veríamos os três tenores In concert fazerem o mesmo show de voz sobre o palco de Roma. Verdade, Luciano Pavarotti, José Carreras e Plácido Domingo repetiriam metade daquele repertório, no mesmo lugar em que a futura esposa de Henrique se apresentara meia década antes.

Em síntese, aqui no Brasil, a aventura de Lage foi transformar um local vazio, pertencente ao atual município de São Gonçalo, no imponente e estratégico parque industrial. Bem, uma quase minicidade viu-se erigir ao largo do imenso terreno perto do bairro de Neves. O ricaço transformou a região afoita por desenvolvimento social. Quem nunca ouviu falar da escola que leva hoje o seu nome? Acredite, Escola Técnica Estadual Henrique Lage traz o nome dele e faz-nos lembrar seus feitos. Decerto uma bonita história, bela homenagem, registro muitíssimo pertinente.


Henrique e Gabriela

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NOTA DO EDITOR: A família Lage não ficou apenas conhecida por sua atuação emresarial em São Gonçalo. Foi dela, particularmente de Henrique, a iniciativa de construir um jardim e palacete no Jardim Botânico conhecido como Parque Lage, hoje tombado pelo IPHAN.

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