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Alcântara: um superbairro em São Gonçalo, por Erick Bernardes


Gostava de tomar banho de chuva igual àquele menino vendendo Guaravita que eu vi ontem deixando cair na pele a água fresca proporcionada pelas nuvens carregadas. Às vezes o toró é enorme em Alcântara, porém as trovoadas não espantam quem perambula pelas ruas comerciais. Mas, dessa vez, não parece ter havido torrente alguma causadora de inundação. Chovia fraquinho mesmo, sim, garoazinha à toa. No entanto, estava caindo água suficiente para o vendedor ambulante refrescar-se nos pingos finos e a lama dar as caras em todo lugar onde passa aquele montão de gente.

Quando mais jovem, ouvia meu pai dizer que Alcântara nasceu pra ser mangue. O rio enche e não dá vazão ao escoamento da região que fica alagada desde o bairro do Coelho até a entrada do Bandeirantes. Incrível como o tempo passa e a natureza cobra o seu espaço ocupado pela população, não é mesmo? Pois é, o rio que costuma transbordar recebe o mesmo nome do bairro: Alcântara, que não raramente espraia suas águas poluídas por cima das calçadas das lojas e dos arredores. Claro, no passado o bairro consistia de uma enorme região ribeirinha. Natural haver hoje lama e molhadeira toda vez que a chuva cai. A natureza não tem culpa, lógico que não, só quer de volta o que lhe pertenceu um dia.

Dizem que Alcântara já tentou até se emancipar várias vezes de São Gonçalo, mas não levou a cabo a separação, por causa da importância enorme que a sua dinâmica exerceu desde sempre no município. Logo muito cedo vemos atividade comercial intensa, trânsito enrolado e uma movimentação econômica de dar inveja a prefeituras de muitos outros lugares. Durante a semana, na Rua da Feira (como é vulgarmente chamada a Rua João Caetano), encontra-se de tudo nas lojas: roupas, sapatos, bijuterias, alimentos, dentre outros produtos. Porém, no domingo é diferente, porque já cedinho montam-se barracas de feira livre — e é quando a maioria das lojas fixas mantêm suas portas fechadas, pois constitui-se dia de descanso ao comércio regular. E feira de rua é assim, vai desde fruta da estação, galinha de roça, comida para passarinho, até ao brinquedo de fazer bolhinhas de sabão.

Historicamente, ficou escrito que tanto a igreja quanto o bairro receberam os seus registros de fundação municipal em homenagem a Dom Pedro de Alcântara, o Imperador do Brasil. Havia nas imediações a Igreja de São Pedro de Alcântara e uma estação de trem, mas seu desenvolvimento mesmo deu-se devido à movimentação existente no entorno do cruzamento da rodovia BR 104; por causa também do vai e vem no viaduto tão conhecido de quem por ali transita. E cá entre nós, sabemos que onde há lugar de passagem sempre tem gente disposta a comerciar, o que aumenta a procura por parte de transeuntes e alavanca a economia.

Dia desses, fiquei sabendo que um certo personagem chamado Augusto Carrara, o Agostinho, do seriado televisivo A grande família, ficcionalmente teria nascido em Alcântara. Fui conferir para crer. E é verdade, curioso o fato de os roteirizadores do programa, Oduvaldo Filho e Armando Costa, terem reinventado o personagem taxista, interpretado por Pedro Cardoso, como alguém nascido justamente em São Gonçalo. De fato, um dado singular, já que a comédia se passa no subúrbio da Zona Norte do Rio de Janeiro. Bem, mas isso é assunto pra outra história. Fiquemos por aqui, caro leitor, por enquanto.


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